"A campanha de vacinação continua", disse a ministra da Saúde, depois de explicar os motivos para o levantamento da suspensão ao lote de vacinas usado em Mafra, onde esta semana vinte jovens desmaiaram, por razões que estão a ser atribuídas ao calor e ansiedade — e não à substância.

O Infarmed garantiu ontem a conformidade das vacinas da Janssen em distribuição em Portugal com as especificações do regulador europeu e anunciou que o lote suspenso na quarta-feira pode ser utilizado nos centros de vacinação. A modalidade casa aberta, que chegou a estar suspensa em todo o país, foi retomada na tarde desta sexta-feira.

A ministra da Saúde afirmou ainda que Lisboa poderá estar já no pico da pandemia de covid-19, mas disse serem precisos os dados dos próximos dias para se ter a certeza de que passou “a fase pior”.

Questionada à margem de uma visita ao centro de vacinação covid de Carnaxide, concelho de Oeiras, se há uma previsão relativamente ao pico da pandemia, Marta Temido afirmou que uma das coisas que se sabe relativamente a esta epidemia é que só depois de passar esse pico é que se se pode dizer que foi atingido.

“Em Lisboa, talvez neste momento estejamos no pico, mas precisamos dos dados dos próximos dias para ter a certeza de que passámos a fase pior”, disse a ministra.

Contudo, advertiu, mesmo que isso aconteça, é preciso continuar a apostar nas medidas de precaução básicas. “Elas não são muito exigentes” face à segurança que dão.

A ministra da Saúde e o coordenador nacional da task-force para a vacinação, vice-almirante Gouveia e Melo visitam esta sexta-feira três Centros de Vacinação em Lisboa. Depois da visita ao Pavilhão Carlos Queirós, em Carnaxide, a comitiva segue para o Centro de Vacinação de Mem Martins, em Ouressa, concelho de Sintra, terminando a ronda em Cascais, no Complexo Desportivo de Alcabideche.

Medidas de confinamento são “adaptadas à atual situação”

A ministra da Saúde, Marta Temido, defendeu as medidas de combate à pandemia de covid-19 e reiterou que as restrições em vigor estão “adaptadas à atual situação”, face às críticas de duas dezenas de especialistas numa carta aberta.

A governante realçou a aposta “na vacinação como arma de combate” e vincou que “se não fosse a vacinação, o risco de transmissão e a incidência estariam muito superiores”. Paralelamente, lembrou a necessidade de manter as medidas não farmacológicas, nomeadamente a utilização de máscara, o distanciamento físico e a higienização das mãos.

“Neste momento nós temos já um conjunto de medidas de confinamento que são adaptadas à nossa atual situação”, afirmou Marta Temido, que revelou a sua leitura pessoal das críticas feitas pelos especialistas: “Leio esta carta como um apelo a todos nós para mantermos as medidas que neste momento estamos a praticar”.

E continuou: “Precisamos de ler esta carta naquilo que ela na realidade nos transmitiu, o que ela nos diz e que nesta fase, apesar de estarmos a ver o número de casos ainda com uma incidência persistente, talvez possamos conseguir controlar os números”.

Marta Temido notou a maior disponibilidade de vacinas no espaço do último mês que permitiu acelerar a campanha de vacinação e que levou o país a atingir esta semana os 10 milhões de doses inoculadas. Nesse sentido, agradeceu a adesão “em força” da população à vacinação - que se traduziu nos últimos dias em “mais de 120.000 inoculações” diárias - e aos profissionais pela “força de trabalho incansável” neste processo.

Já em relação ao novo indicador de avaliação do estado da pandemia, apresentado pela Ordem dos Médicos na quarta-feira, a ministra assegurou ter recebido a nova matriz proposta pelo bastonário Miguel Guimarães e disse que “todos os indicadores que são referidos por peritos estão neste momento a ser considerados”, não descartando eventuais alterações ao quadro de análise do Governo após a reunião no Infarmed no próximo dia 27.

“Numa fase inicial, os peritos referiram que os dois indicadores de risco de transmissibilidade efetivo (Rt) e incidência cumulativa eram aqueles que nos davam uma leitura mais rápida e concreta da realidade”, referiu, resumindo: “Os outros indicadores são complementares. A matriz de alguma forma já reflete aquilo que são os outros indicadores”.

Gouveia e Melo “disponível” para continuar à frente do processo de vacinação

“Eu estou sempre disponível. Quem decide a minha disponibilidade são os meus superiores hierárquicos, neste caso, as forças armadas e, acima das forças armadas, o poder político. Eu sou um militar, cumpro o que tiver de cumprir em função dessas ordens que receber”, afirmou o vice-almirante aos jornalistas, após uma visita ao centro de vacinação de Ouressa, em Sintra.

Para o responsável pelo plano de vacinação contra a covid-19, mantém-se a meta de 70% da população portuguesa imunizada com a primeira dose na semana entre 08 e 15 de agosto e nem a suspensão durante cerca de 24 horas da administração da vacina da Janssen condiciona a realização desse objetivo.

“Naquele período vamos atingir isso. Isto não vai alterar nada, são os solavancos de curto prazo. Não altera o planeamento de médio e longo prazo”, explicou, sem deixar de fazer uma ressalva: “Estamos sempre dependentes das vacinas que chegam a território nacional”.

O vice-almirante assumiu que “todas as suspensões interferem no ritmo de vacinação” e que, por isso, foi necessário “parar ou adaptar agendamentos”, mas revelou que vai ser recebido um reforço de 295 mil vacinas da Janssen neste fim de semana e que haverá “casa aberta” desta vacina durante a próxima semana para recuperar o ritmo de vacinação. Contudo, não quis deixar de subscrever a decisão tomada pela Autoridade do Medicamento (Infarmed).

“São acontecimentos com que nós temos que lidar. Na dúvida, não podemos continuar a vacinar. É uma questão de segurança das pessoas”, disse, acrescentando: “O Infarmed decidiu que devia fazer uma suspensão para ter a certeza absoluta de que não poria em risco a vida das pessoas e nós só temos de concordar e apoiar essa decisão”.

Questionado sobre a vacinação dos jovens com menos de 18 anos, Gouveia e Melo recordou que a Direção-Geral da Saúde (DGS) “está a estudar esse assunto” e que esse cenário não escapa ao planeamento logístico da sua equipa.

“É um assunto que está dentro dos nossos planos e, portanto, nós planeamos para uma hipótese. A DGS que determine se essa hipótese se vai ou não realizar, mas nós estamos a planear para não sermos apanhados depois descalços no momento em que a decisão for tomada”, resumiu.

[Artigo atualizado às 18:05]

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