"Queremos escolas protegidas e seguras e queremos leis das armas que não tornem tão fácil aos tipos maus obterem as malditas armas", disse o ator oscarizado num discurso de 22 minutos na Casa Branca.

Num discurso altamente pessoal, McConaughey exortou o Congresso a “alcançar um nível mais alto” e aprovar legislação que pode salvar vidas sem infringir os direitos previstos na Segunda Emenda à Constituição dos Estados Unidos da América, que protege o direito ao porte e uso de armas.

McConaughey, que no início deste ano chegou a considerar candidatar-se a governador do Texas, reuniu-se brevemente com Biden antes de se dirigir aos jornalistas na sala de imprensa da Casa Branca.

Ele próprio proprietário de armas, o ator usou o seu estatuto de estrela de Hollywood para argumentar pela necessidade de legislação de controlo de armas de uma forma que o Governo do Presidente Joe Biden não tem conseguido, descreve a agência norte-americana de notícias Associated Press.

O ator, que nasceu em Uvalde, a cidade onde no dia 24 de maio um jovem armado matou 19 crianças e duas professoras numa escola básica, deixou clara a sua ligação à cidade, detalhando vividamente a perda das 21 vidas no segundo pior tiroteio em massa na história dos EUA.

Contou que a sua mãe foi educadora num jardim de infância a menos de dois quilómetros da escola onde ocorreu o massacre e sublinhou que foi naquela pequena cidade do Texas que aprendeu a responsabilidade que advém da posse de armas.

"Uvalde foi onde aprendi a reverenciar o poder e a capacidade da ferramenta que chamamos de arma. Uvalde foi onde aprendi sobre a posse responsável de armas", disse.

Sem responder a perguntas, McConaughey disse que, juntamente com a mulher, se deslocou à cidade no dia a seguir ao massacre e passou tempo com as famílias de algumas das vítimas e outras pessoas diretamente afetadas pelo ataque.

Acrescentou que todos os pais com quem falou exprimiram o desejo de que “os sonhos dos seus filhos persistam”.

"Eles querem que a perda das suas vidas seja importante”, afirmou.

O ator contou ainda as histórias pessoais de algumas das vítimas, mostrando as obras de arte de Alithia Ramirez, que sonhava frequentar uma escola de artes em Paris, ou os ténis verdes de Maite Rodriguez, que queria ser bióloga marinha e desenhara um coração na ponta de um dos seus ténis preferidos para mostrar o seu amor pela natureza.

McConaughey reconheceu que uma melhor legislação sobre armas não porá fim a tiroteios em massa, mas defendeu que há medidas que podem ajudar a reduzir as probabilidades de estes acontecimentos se repetirem com tanta frequência.

"Precisamos de investir em saúde mental. Precisamos de escolas mais seguras. Temos de restringir a cobertura mediática sensacionalista. Precisamos de restaurar os nossos valores familiares. Temos de restaurar os nossos valores americanos e precisamos de posse de armas responsável”, frisou.

O debate sobre a posse de armas voltou a estar na ordem do dia nos Estados Unidos da América, depois do massacre no dia 24 de maio numa escola de Uvalde, no estado do Texas, em que um jovem de 18 anos adquiriu uma arma e matou 19 crianças e dois professores.