Augusto Santos Silva, que falava no Parlamento, frisou não concordar com o deputado Pedro Filipe Soares, do BE, que lhe pediu “o reconhecimento de que a estratégia seguida pela União Europeia (UE), designadamente o acordo com a Turquia, que PT secundou, foi a errada”.

“Não vejo razão para dizer hoje que o acordo de 2016 com a Turquia foi um erro. Pelo contrário, é um acordo razoável que se revelou útil, porque durante quatro anos milhares e milhares de pessoas refugiadas na Turquia puderam beneficiar de apoio” financiado pelos países europeus, declarou.

“Outra coisa é a Turquia utilizar os refugiados [...] como arma de arremesso contra a Europa, para procurar que a Europa pague mais ou tenha uma posição mais conforme aos interesses turcos na relação que tem com a Síria e na relação muito ambígua com a Rússia”, criticou o ministro.

Insistindo que “pessoas não devem ser usadas como arma de arremesso”, Santos Silva explicou que é por essa razão que a UE tem “ajudado a Grécia e criticado a Turquia para que termine com este comportamento”.

Ao deputado João Oliveira, do PCP, que o questionou também sobre o assunto e defendeu que as razões geradoras dos fluxos migratórios “não devem ser escamoteadas”, o ministro apresentou os princípios defendidos por Portugal em matéria de migrações.

“A organização de canais legais, protegidos e seguros de migração […], o reforço da proteção das fronteiras para o combate ao tráfico e garantir a segurança […] e a cooperação para o desenvolvimento”, enumerou.

A União Europeia e a Turquia celebraram em 2016 um acordo no âmbito do qual Ancara se compromete a combater a passagem clandestina de migrantes para território europeu em troca de ajuda financeira num valor total de 6 mil milhões de euros para financiar o acolhimento dos refugiados, especialmente os sírios que fogem da guerra.

A Turquia, que acolhe no seu território cerca de quatro milhões de refugiados, anunciou na sexta-feira ter aberto as fronteiras com a Europa, ameaçando deixar passar migrantes e refugiados, numa aparente tentativa de pressionar a Europa a assegurar-lhe um apoio ativo no conflito que a opõe à Rússia e à Síria.

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