Declaração de interesses: é militante do PSD e esteve como delegado no Congresso do partido, que teve lugar este fim de semana em Santa Maria da Feira: "Gosto de ser intelectualmente honesto", mas é preciso que saibam que "não sou imparcial".

"É mais provável que depois das eleições se venha a discutir quem vai substituir António Costa do que quem vai substituir Rui Rio", adivinha Miguel Poiares Maduro. Que acredita que António Costa vai perder as eleições de 30 de janeiro e que, se assim for, abandonará a liderança do Partido Socialista.

Neste caso, a ascensão de Pedro Nuno Santos, apontado como sucessor de Costa, deverá conduzir o PS a políticas ainda mais à esquerda, porque se a coligação do PS com Bloco e PC começou por ser uma oportunidade - "para não dizer oportunismo" -, na linha Pedro Nuno Santos é uma aproximação é ideológica.

Mas nem tudo serão rosas para o ministro das Infraestruturas e da Habitação: "A tragédia da TAP pode impedir o Dr. Pedro Nuno Santos de realizar o seu sonho de criança de ser líder do Partido Socialista". No fundo, a pergunta é como irá o governante justificar ter "enterrado" tantos milhões na TAP, uma companhia que dizia fundamental para o país e, depois, voltar a privatizar a empresa - que, se não fechar, para ser viabilizada deverá ter esta imposição de Bruxelas.

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O novo posicionamento do PS poderá dar lugar a uma cisão do partido, com a ala mais moderada a formar mesmo uma nova força partidária, que poderá funcionar como charneira entre PS e PSD, alternando nas coligações. De toda a maneira, "Pedro Nuno Santos nunca aceitará um Bloco Central com PSD", conclui Poiares Maduro.

Isto, claro, se Rui Rio for primeiro-ministro. Neste caso, o PSD terá aqui uma oportunidade acrescida para marcar a diferença e ocupar o espaço político ao centro. Mas, para isso, o PSD não pode ceder a acordos com partidos radicais à direita [Chega], "tem de ter a mesma fronteira que exige ao Partido Socialista" [com o Bloco de Esquerda].

Centro e ambição, são assim as duas palavras que o professor universitário escolhe para definir o ambiente que neste momento caracteriza o Partido Social Democrata, "que ocupa um espaço político da moderação em Portugal, depois de o PS se ter tornado prisioneiro de forças políticas mais radicais à sua esquerda, desde que António Costa saltou para o outro lado do muro".

Miguel Poiares Maduro, como Rui Rio, apela aos portugueses para transformarem o seu descontentamento em mudança em vez de resignação. Mas também fala ao seu partido: "Um dos maiores problemas de Portugal é a captura do Estado pelo partido no poder, sobretudo pelo Partido Socialista, até porque esteve mais tempo no poder, mas o PSD também teve práticas dessas ao longo da sua história governativa. Sem esta despartidarização do Estado dificilmente se poderão fazer as reformas necessárias", considera.

Para o ex-ministro, se as pessoas não são escolhidas pelo mérito, mas sim pela proximidade partidária, a administração pública vai ser menos qualificada, logo, menos capaz e promotora de políticas mais fracas, já que "é um Estado que decide com base em favores e não com base nos melhores projetos". "Temos de romper este círculo vicioso, é fundamental o PSD promover essa separação", afirma.

E se Rui Rio perder? "Sobre isso não vale a pena especular", até porque "o mais provável é que venha a ganhar". O ex-ministro lembra que a confiança dos portugueses no governo caiu 14 pontos no último ano, contra uma média de quatro pontos na Europa, de acordo com o Eurobarómetro. "E isso, mais tarde ou mais cedo, vai repercutir-se no voto".

Os eleitores deixaram de confiar na classe política e nas instituições políticas. A massa que tem protestado em Portugal, sobretudo através da abstenção, junta-se agora a partidos populistas, de direita ou de esquerda. E é também isso que justifica a tentação pelos homens providenciais.

Assim se justifica o desafio lançado por alguns membros proeminentes da sociedade portuguesa para que o vice-almirante Gouveia e Melo se candidate à Presidência da República. "O simples facto de uma pessoa ser muito competente na sua área não a torna um bom candidato. O facto de Ronaldo ser o melhor jogador de futebol não faz dele o melhor ministro do Desporto. Esta forma de pensar é indicadora de um grau de subdesenvolvimento do país e a confirmação de que estamos pouco habituados a que as pessoas sejam competentes", considera Poiares Maduro.

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