De acordo com a polícia regional catalã Mossos d’Esquadra, citada pela agência EFE, foram detidas duas pessoas em Barcelona, oito em Lérida e quatro em Vic, localidades da Catalunha onde, com Girona, se registaram distúrbios durante as várias manifestações que aconteceram naquela região de Espanha.

Nos incidentes, cinco agentes da polícia ficaram feridos, três dos quais em Barcelona e os restantes em Lérida.

“Resistência”, “Pablo, companheiro, estamos ao teu lado” e “Liberdade Pablo Hasel”, foram algumas das palavras mais ouvidas durante as manifestações, convocadas em protesto contra a detenção do ‘rapper’, esta terça-feira de manhã em Lérida por ter sido condenado a nove meses de prisão por glorificação do terrorismo e injúrias à monarquia.

Em Lérida, em cuja universidade Pablo Hasél foi detido, cerca de duas mil pessoas, de acordo com a organização e 1.400 segundo as autoridades, iniciaram o protesto na praça da catedral, onde foi lido um manifesto.

Os manifestantes dirigiram-se até à sede do PSC (Partido dos Socialistas da Catalunha) onde foram lançados ovos e outros objetos contra a fachada do edifício. Mais à frente, na Praça Sant Joan, foi atirada tinta para a fachada da sede do PP (Partido Popular).

Depois, várias centenas de manifestantes caminharam até à subdelegação do governo em Lérida, onde se viveram os momentos de maior tensão, com contentores do lixo deitados ao chão, alguns deles incendiados, e o arremesso de petardos contra alguns veículos dos Mossos D’Esquadra.

Em Girona, os manifestantes, que eram cerca de cinco mil, de acordo com as autoridades, reuniram-se na Praça 1 de Outubro e percorreram várias ruas até à delegação da Generalitat e, depois, até aos tribunais. Aí, foram arremessados os primeiros objetos e artefactos pirotécnicos contra os agentes da polícia.

No final do protesto, um grupo de manifestantes chegou à subdelegação do Governo, onde se iniciaram motins com o lançamento de objetos contra a polícia e onde foi criada uma barreira de contentores.

Em Barcelona, os incidentes ocorreram quando os manifestantes se dirigiram à esquadra do Corpo Nacional de Polícia, onde os Mossos d’Esquadra atiraram balas de borracha a alguns manifestantes que lançavam petardos, pedras e garrafas contra o cordão de agentes, e que tinham montado barricadas com contentores e outros elementos de mobiliário urbano aos quais atearam fogo.

Os manifestantes cortaram a Avenida Diagonal e montaram barricadas na praça da Catalunha e nos Jardins de Gracia, onde destruíram as montras de várias lojas e de agências bancárias.

Além disso, a sucursal de um banco foi atacada e várias motas queimadas.

A juntar a palavras de ordem como “Liberdade Pablo Hasél” ou “morte ao regime espanhol”, muitos manifestantes aproveitaram para pedir também a libertação dos líderes independentistas do ‘procés’ (processo de independência da Catalunha).

Segundo os Mossos d’Esquadra, em Vic alguns manifestantes partiram janelas do edifício do tribunal e lançaram pedras contra a polícia.

Em Valência, onde se concentraram cerca de 500 pessoas, não se registaram incidentes.

Dezenas de agentes da polícia regional entraram na reitoria da Universidade de Lérida para prender o 'rapper' Pablo Hassel, condenado a nove meses de prisão por glorificação do terrorismo e injúrias à monarquia.

Hasél trancou-se no edifício da reitoria da Universidade de Lérida na segunda-feira “para dificultar o mais possível a vida à polícia” antes da sua prisão iminente, disse à Efe, com o objetivo de tornar público o que considera ser um “ataque muito grave” contra a liberdade de expressão.

Na segunda-feira, a Audiência Nacional voltou a rejeitar a suspensão da execução da pena de prisão do cantor, lembrando que em 2017 foi condenado por um crime de resistência ou desobediência à autoridade, e em 2018 por transgressão.

Em 8 de fevereiro, mais de 200 personalidades, incluindo o realizador Pedro Almodóvar e o ator Javier Bardem, assinaram um manifesto pedindo a libertação do ‘rapper’ e a alteração da lei, divulgado no jornal El País.

“A perseguição a ‘rappers’, autores de ‘twits’, jornalistas, bem como de outros representantes da cultura e da arte, por tentarem exercer o seu direito à liberdade de expressão, converteu-se numa constante”, escreveram.

“O Estado espanhol passou a encabeçar a lista de países que mais represálias lançou contra artistas pelo conteúdo das suas canções. Agora, com a detenção de Pablo Hasél, o Estado espanhol está a equiparar-se a países como a Turquia ou Marrocos”, criticaram.

Os factos pelos quais o ‘rapper’ foi condenado remontam a 2014 e 2016, quando publicou uma canção no YouTube e dezenas de mensagens no Twitter, acusando as forças da ordem espanholas de tortura e homicídios.

Numa das mensagens, escreveu, ao lado de uma fotografia de Victoria Gómez, membro dos Grupos de Resistência Antifascista Primeiro de Outubro (GRAPO), uma organização considerada terrorista: “As manifestações são necessárias, mas não suficientes, apoiemos aqueles que foram mais longe”.

O cantor também acusou o rei emérito Juan Carlos e o filho, Felipe VI, de vários crimes, incluindo homicídio e desvio de fundos.

Na segunda-feira, o executivo espanhol prometeu “uma reforma” legislativa para que os “excessos verbais cometidos no âmbito de manifestações artísticas, culturais ou intelectuais” não sejam punidos criminalmente.

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