“A Justiça tem de decidir, mas eu acho que o [líder separatista Carles] Puigdemont devia ir para a prisão, assim como todos os que colaboraram nesta farsa”, disse à agência Lusa Rafael, de 50 anos, acompanhado pela família, que veio defender a “unidade de Espanha.

“Protesto por causa de uma situação surrealista que estamos a viver há vários meses”, disse à agência Lusa Miguel, de 34 anos, com a bandeira espanhola aos ombros, acrescentando que o presidente do Governo regional demitido “devia ir para a prisão” pelas “mentiras que andou a dizer”, assim como os outros dirigentes separatistas.

A polícia municipal de Barcelona estimou hoje em 300.000 o número de pessoas que se manifestou pela unidade de Espanha, enquanto os organizadores da Sociedade Civil Catalã indicavam que seriam cerca de 1,3 milhões.

Os organizadores da Sociedade Civil Catalã, que inicialmente estimaram o número de manifestantes em 1,1 milhões e depois elevaram a estimativa para 1,3, insistiram na necessidade de defender a democracia, a convivência e o diálogo dentro da lei e apelaram, num manifesto distribuído, para que as próximas eleições regionais de 21 de dezembro conduzam a uma “Catalunha unida”.

“Fomos demasiado lentos. Madrid demorou muito tempo a reagir, mas Puigdemont é o principal responsável pela divisão dos catalães ao fazer acreditar muitos numa grande mentira”, avançou Miguel, de 34 anos, ao lado do pai, um com uma bandeira espanhola e o outro com uma da comunidade autónoma da Catalunha.

Muitas pessoas tinham bandeiras como estas e também da União Europeia e gritavam “Viva a Espanha”, “Unidade” e ainda “Puigdemont para a prisão”.

Na cabeça da manifestação estiveram a ministra da Saúde espanhola, a catalã Dolors Montserrat, em representação do Governo de Madrid, e os líderes regionais dos principais partidos que lutam contra a divisão de Espanha.

“Comprometemo-nos a não abandonar os catalães e cumprimos. Vamos devolver a democracia à Catalunha nas eleições de 21 de dezembro”, disse Dolors Montserrat aos jornalistas.

Nos cartazes empunhados pela multidão liam-se slogans como “Espanha unida”, “despertar de um povo silenciado”, “pela reconciliação entre os catalães divididos”, e “todos somos catalães”.

A catedrática catalã de direito constitucional Teresa Freixes foi uma das primeiras a subir ao palco para pedir aos manifestantes para “não caírem nas provocações” dos independentistas, que acusou de doutrinarem os alunos nas escolas e de “construírem tudo com base em mentiras”.

Os organizadores da Sociedade Civil Catalã insistiram na necessidade de defender a democracia, a convivência e o diálogo dentro da lei. “Organizámo-nos tarde, mas estamos aqui para mostrar que há uma maioria de catalães que já não fica em silêncio e já não quer ser silenciada”, disse aos jornalistas Alexandre Ramos, um dos organizadores da concentração.

Desde o início da manhã, vários grupos de pessoas com bandeiras espanholas e da comunidade autónoma da Catalunha passeiam pelo centro de Barcelona à espera do início da manifestação.

“Este momento não é para viver numa realidade paralela. É tempo de ir para a rua e organizar eleições”, disse o líder do Cidadãos, Albert Rivera quando se dirigia para a cabeça da concentração.

Os organizadores afirmam que pretendem defender a democracia, a convivência e o diálogo dentro da lei.

O parlamento regional da Catalunha aprovou, na sexta-feira, a independência da região, numa votação sem a presença da oposição, que abandonou a assembleia regional e deixou bandeiras espanholas nos lugares que ocupavam.

Ao mesmo tempo, em Madrid, o Senado espanhol deu autorização ao Governo para aplicar o artigo 155º. da Constituição para restituir a legalidade na região autónoma.

O executivo de Mariano Rajoy, do Partido Popular (direita), apoiado pelo maior partido da oposição, os socialistas do PSOE, anunciou ao fim do dia a dissolução do parlamento regional, a realização de eleições em 21 de dezembro próximo e a destituição de todo o Governo catalão, entre outras medidas.

Em resposta, no sábado, o presidente do governo regional destituído, Carles Puigdemont, disse não aceitar o seu afastamento e pediu aos catalães para fazerem uma “oposição democrática”, numa declaração oficial gravada previamente e transmitida em direto pelas televisões.

(Notícia atualizada às 13h36: atualização do número de participantes)

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