Desde outubro de 2011, altura em que foi anunciada pelo então ministro da economia Álvaro Santos Pereira a intenção de um gigante internacional do setor mineiro (a australiana Rio Tinto) de investir mil milhões de euros na região de Moncorvo com a perspetiva de criação de 420 postos de trabalho diretos, muita tinta correu e as expectativas aumentaram em relação o projeto, algumas goradas ao longo dos anos.

Cerca de um ano depois do anúncio, os autarcas dos concelhos do Douro Superior afirmavam que o Governo teria de explicar às populações o que se passou nas negociações com a multinacional Rio Tinto tendo em vista a exploração mineira naquele concelho.

A reativação das minas chegou a ser dada como provável, graças ao interesse demonstrado pela Rio Tinto, mas acabou por retroceder com o recuo por parte daquela multinacional australiana.

O processo da exploração mineira em Torre de Moncorvo entrou num impasse quando a Rio Tinto desistiu da exploração das minas de ferro de Moncorvo depois de um ano de intensas negociações entre o detentor dos direitos de prospeção e exploração e o Governo.

A justificação oficial para o recuo da Rio Tinto, referia à data a Minning Technology Investments (MTI), que detém os direitos de concessão das minas de Moncorvo até 2070, ” é que a Rio Tinto não conseguiu provar que o projeto era viável e rentável”.

Os sucessivos adiamentos ao projeto começaram logo, em 2012, altura em que se esperava que a exploração arrancasse pela mão da MTI- Ferro de Moncorvo, S.A., o que não veio a acontecer alegadamente “por fatores técnicos, ambientais e por alguma burocracia”.

O processo de licenciamento da reativação das minas de ferro de Moncorvo tornou-se num decisivo passo no longo percurso mineiro deste projeto, decorrendo em paralelo com um conjunto de trabalhos e estudos ambientais, sociais e económicos, que constituem a fase de RECAPE – Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução.

Em novembro 2016, quando foi assinado com a MTI o contrato definitivo relativo a esta concessão, o então ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, realçou “o empenho colocado pelo Governo para agilizar este projeto”.

Mais recentemente, as minas de Moncorvo, cuja concessão de 2016 foi entregue à MTI, Ferro de Moncorvo, SA, tornam-se “atraentes” para a Aethel Mining não só pelas suas perspetivas económicas, mas também pelo seu perfil de sustentabilidade – sendo um depósito de minério de ferro muito significativo no coração da Europa – e pelo seu potencial para revitalizar um ativo histórico da economia local”, descreveu a empresa, aquando da assinatura do tratado concessão.

A Aethel destaca ainda que o seu projeto para Moncorvo se “diferencia” do de todos os seus pares pelo “pleno uso da sua visão de sustentabilidade e sensibilidade ambiental”.

No início de novembro de 2019, a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) autorizou o “controlo da mina” de ferro de Torre de Moncorvo pela Aethel Mining, empresa que espera colocar Portugal numa “posição de liderança na mineração europeia”.

A Aethel Partners revelou que a Aethel Mining Limited, uma “empresa britânica detida exclusivamente” pelo português Ricardo Santos Silva e a americana Aba Schubert, “recebeu aprovação da DGEG para assumir o controlo da mina de Moncorvo”, um “depósito de minério de ferro muito significativo no coração da Europa”.

O recomeça após 12 anos de impasse

Hoje, tem início a exploração de mineiro de ferro em Torre de Moncorvo, com máquinas a operar no local, indicou a empresa concessionária.

A empresa Aethel Mining que detém a concessão mineira em Torre de Moncorvo anunciou hoje o recomeço da exploração de minério de ferro naquele concelho, lamentando o impasse de 12 anos que ditou significativos adiamentos do projeto.

"Estes processos deveriam ser mais céleres. Doze anos é muito tempo para a obtenção de todas as aprovações para um empreendimento desta natureza, o que criou alguma ansiedade nas populações do concelho", disse à Lusa o presidente do conselho de administração da Aethel Mining, Ricardo Santos Silva.

Segundo o empresário, a prospeção de que agora se inicia terá várias fases ao longo dos próximos cinco anos, estando previsto um investimento de 550 milhões de euros, ao longo dos próximos 60 anos.

"Nos primeiros cinco anos de exploração mineira, o investimento rondará os 50 milhões de euros, prevendo que ao longo dos próximos 60 anos da concessão sejam investidos cerca de 550 milhões de euros", perspetiva Ricardo Santos Silva.

A Aethel Mining avançou que o início dos trabalhos está localizado no sítio da Cascalheira da Mua, na União de Freguesias de Felgar e Souto da Velha, naquele concelho do distrito de Bragança.

"Neste local está prevista a extração a céu aberto, sem recurso a explosivos, de cerca de seis milhões de toneladas de inerte de ferro, numa primeira fase, para produção de matéria-prima de alta densidade", explicou o empresário.

Segundo Ricardo Santos Silva, nesta primeira fase está prevista a criação de 60 postos de trabalho diretos, alguns mão-de-obra especializada, como engenheiros ou geólogos.

O empresário está convencido de que com este empreendimento possa colocar "o concelho trasmontano de Torre de Moncorvo no centro da atividade mineira".

"Estamos a falar num depósito de minério de ferro muito relevante, com grande procura de mercado. É uma aposta certa, já que precisamos de ferro para tudo", indicou Ricardo Santos Silva.

Segundo a Aethel Mining, o processo de licenciamento do projeto de reativação das minas de ferro de Moncorvo tornou-se num decisivo passo no longo percurso mineiro deste projeto, decorrendo em paralelo com um conjunto de trabalhos e estudos ambientais, sociais e económicos.

"Temos muita preocupação com as questões ambientais. Toda a documentação é pública, estando disponível na Agência Portuguesa do Ambiente e na Direção-Geral de Energia e Geologia. A limpeza das áreas onde vamos intervir é uma desses exemplos", vincou o responsável da Aethel Mining.

As minas de ferro de Torre de Moncorvo foram a maior empregadora da região na década de 1950, chegando a recrutar 1.500 mineiros.

A exploração de minério foi suspensa em 1983, com a falência da Ferrominas.

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