“Vou levar todas as informações disponíveis, que são muito boas. O Brasil está indo muito bem em vários dados. Nas metas do Acordo de Paris, o Brasil está indo super [muito] bem, aliás, melhor do que muitos países que nos criticam”, declarou Salles ao jornal Folha de S.Paulo, sem mencionar diretamente alguns líderes europeus que fizeram críticas públicas sobre a desflorestação da Amazónia no território brasileiro.

“Criticam e, no final das contas, nós é que estamos cumprindo as metas. Nós temos uma percentagem de conservação de matas nativas de mais de 60%, que outros não têm. Nós precisamos mostrar isso e mostrar o que fazemos bem. E mostrar que dá para fazer mais se tivermos apoio financeiro para isso”, acrescentou o ministro.

Discordâncias entre o Brasil e líderes europeus, principalmente com o Presidente francês, Emmanuel Macron, acentuaram-se nas últimas semanas, com Paris a colocar em causa a assinatura do tratado de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), assinado em 28 de junho, após 20 anos de negociações.

Na entrevista ao jornal brasileiro, Salles admitiu que houve um erro de comunicação das informações sobre o que estava a ser feito sobre os incêndios na Amazónia quando o assunto ganhou destaque no mundo.

“Nós falhámos na comunicação. Esse é o ponto mais importante. A comunicação das ações, daquilo que estava sendo feito e tudo mais. A comunicação podia ser melhor e, agora, vai ter de ser melhor. Isso é algo que a gente precisa reconhecer, é um facto”, disse Salles.

O Governo brasileiro, liderado pelo político de extrema-direita Jair Bolsonaro, foi fortemente questionado nas últimas semanas pela comunidade internacional por causa do ressurgimento de grandes ações de desflorestação e incêndios na Amazónia dentro do território do Brasil.

Segundo dados oficiais provisórios, a destruição da floresta amazónica no Brasil praticamente dobrou entre janeiro e agosto de 2019 face ao mesmo período de 2018.

O Brasil registou 4.935 focos de queimadas na Amazónia brasileira nos oito primeiros dias de setembro, informou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que revela que desde o início do ano os incêndios aumentaram 47%.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

O Inpe anunciou este domingo que a desflorestação da Amazónia aumentou 222% em agosto, em relação ao mesmo mês de 2018.

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