João Gomes Cravinho presidiu hoje, na Base Aérea do Montijo (Setúbal), à cerimónia de regresso da Força Nacional Destacada que integrou nos últimos seis meses a Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização do Mali (MINUSMA).

“Em primeiro lugar, é preciso reter que o Mali é um país charneira para a estabilidade do Sahel, uma região muito próxima de nós, e que a instabilidade ou a existência de grupos terroristas naquela região é uma ameaça direta para a Europa. Embora possa parecer que estão numa missão longínqua, na realidade as consequências daquela missão podem-se fazer sentir aqui entre nós”, alertou, em declarações aos jornalistas no final da cerimónia.

O ministro da Defesa Nacional assegurou que o compromisso de Portugal com a segurança nesta região “vai para além dos seis meses” da presidência portuguesa da União Europeia – no primeiro semestre de 2021 -, mas admitiu que existe neste período “uma responsabilidade especial” para mobilizar os Estados-membros para “um combate que deve ser partilhado por todos”.

“Portugal estará presente novamente em 2021 com uma aeronave na missão das Nações Unidas. Estará presente também na força Takuba, de operações especiais de combate ao terrorismo, está presente na missão europeia de formação das Forças Armadas no Mali. Estaremos presentes em várias frentes, mas sempre com o mesmo objetivo que é de combater o terrorismo”, disse.

Questionado sobre o número de militares portugueses que integrarão estas missões, o ministro garantiu que “haverá um reforço”, mas remeteu a sua divulgação para a próxima semana.

Gomes Cravinho aproveitou para deixar uma palavra especial aos militares portugueses, num ano marcado pela pandemia de covid-19.

“Foi extraordinário este ano ver como os nossos militares souberam reagir à pandemia sem pôr em causa as missões que lhe são atribuídas”, afirmou, destacando que “uma das características mais importantes das Forças Armadas é a sua capacidade de adaptação”.

“As nossas Forças Armadas demonstraram essa capacidade de adaptação”, acrescentou, desejando que 2021 traga a todos “algum regresso à normalidade”.

Dos 49 militares que regressaram hoje a Portugal (14 permanecem no Mali e voltarão em 05 de janeiro), apenas seis estiveram simbolicamente presentes na cerimónia, devido às restrições da pandemia de covid-19, que desde há meses impede também a tradicional presença de familiares.

O coronel Luís Silva, que chefiou a primeira metade da missão (que durou seis meses no total, com uma rotação de contingente ao final de três), fez um balanço muito positivo.

“Regressamos com o sentimento de dever cumprido, porque a nossa primeira prioridade era a segurança dos nossos militares, quer em termos securitários no teatro de operações, quer sanitários para proteger a força da pandemia”, disse, salientando que não se registou qualquer caso de covid-19 entre estes militares portugueses.

Luís Silva explicou que a missão nacional foi “sobretudo de transporte, quer de carga, quer de passageiros” entre as várias bases que servem a missão das Nações Unidas.

“Foi uma missão muito exigente, em agosto atravessámos um golpe de Estado que trouxe constrangimentos, mas a operação nunca foi afetada”, destacou.

O ministro da Defesa já tinha visitado o destacamento nacional no Mali pouco antes do Natal, e salientou os elogios recolhidos internacionalmente à ação dos militares portugueses e o contributo da aeronave C-295 para a missão das Nações Unidas.

“Os nossos militares estão plenamente preparados para as condições difíceis que existem no Mali, incluindo o combate a atividades terroristas”, reforçou Gomes Cravinho, numa cerimónia que decorreu na presença do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Joaquim Manuel Nunes Borrego.

Desde julho, os 63 militares e a aeronave da Força Aérea Portuguesa realizaram 44 missões e cerca de 240 horas de voo, tendo contribuído para o transporte de passageiros, doentes, carga e operações de vigilância.

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