O chefe de Estado atualizou o número de mortes em consequência da passagem do ciclone pelo país de 84 para mais de 200.

“Pela informação que nos foi fornecida aqui, neste contexto de mortes confirmadas (…) estamos nos 200 e tal”, acrescentou o chefe de Estado, que na segunda-feira disse recear que o balanço final ultrapasse o milhar de mortos.

Filipe Nyusi falava durante uma reunião do Conselho de Ministros realizado na cidade da Beira, parcialmente destruída pelo ciclone. “Porque a situação está grave, o Governo vai decretar a emergência nacional na República de Moçambique”, referiu.

Filipe Nyusi anunciou ainda três dias de luto nacional em Moçambique.

“Sabendo de 350 mil cidadãos que estão em situação de risco e da severa destruição devido a esta tragédia, então o Conselho de Ministros decide decretar o luto nacional na República de Moçambique, por um período de três dias, com inicio às próximas 00:00 [menos duas horas em Lisboa] do dia 20 de março”, disse o chefe de Estado.

O responsável pelas respostas da Cruz Vermelha Internacional na região da Beira, a mais afetada na província de Sofala, revelou que o total de desalojados — pelo menos 400.000 pessoas — resultou de vários levantamentos realizados pela organização até hoje.

"A escala de sofrimento e perda não está ainda clara. Esperamos que o número de pessoas afetadas, assim como o de mortes, possa crescer", disse Jamie LeSueur.

O elemento da Cruz Vermelha Internacional afirmou que "este é a pior crise humanitária da história recente de Moçambique", uma "catástrofe humanitária para as pessoas do centro” do país.

Jamie LeSueur notou que "grande parte da Beira está destruída, vilas e cidades inteiras estão completamente inundadas, e muitas famílias perderam tudo".

A Cruz Vermelha Internacional e a Cruz Vermelha de Moçambique lançaram hoje um apelo de emergência de dez milhões de francos suíços (8,8 milhões de euros) para apoiar cerca de 75.000 das pessoas mais afetadas no centro de Moçambique.

As equipas da Cruz Vermelha na Beira estão a distribuir material de abrigo às famílias afetadas na Beira e suprimentos adicionais para pelo menos 3.000 famílias estão a ser transportados em navio da Plataforma de Intervenção Regional do Oceano Índico da Cruz Vermelha Francesa da ilha da Reunião.

Voluntários da Cruz Vermelha na Beira também estão a distribuir cloro para que as pessoas possam purificar a água.

LeSueur advertiu que "as doenças transmitidas pela água podem aumentar no rescaldo de um desastre como este devido à contaminação do suprimento de água e à interrupção do tratamento usual da água", acrescentando que "surtos de gastroenterite viral, hepatite, cólera e outras doenças podem ocorrer".

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, Maláui e Zimbabué já provocou pelo mais de 400 mortos, segundo balanços provisórios divulgados pelos respetivos governos desde segunda-feira. Mais de 1,5 milhões de pessoas foram afetadas pela tempestade naqueles três países africanos.

O Idai, com fortes chuvas e ventos de até 170 quilómetros por hora, atingiu a Beira (centro de Moçambique) na quinta-feira à noite, deixando os cerca de 500 mil residentes na quarta maior cidade do país sem energia e linhas de comunicação.

No Zimbabué, as autoridades contabilizaram pelo menos 82 mortos e 217 desaparecidos, bem como cerca de 1.600 casas e oito mil pessoas afetadas no distrito de Chimanimani, em Manicaland.

No Maláui, as estimativas do Governo apontam para pelo menos 56 mortos e 577 feridos, com mais de 920 mil pessoas afetadas nos 14 distritos atingidos pelo ciclone, incluindo 460 mil crianças.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) admite que o ciclone Idai poderá ser "um dos piores desastres climáticos no hemisfério sul", caso se confirmem os números de vítimas mortais estimados pelo Presidente moçambicano.

Clare Nullis, porta-voz da da OMM, citada pela ONU News, apontou que "se estas estimativas forem concretizadas, então podemos dizer que este é um dos piores desastres climáticos - relacionado com ciclones tropicais - no hemisfério sul".

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