O antigo líder bloquista João Semedo faleceu esta terça-feira, 17 de julho, ao fim de vários anos de batalha contra o cancro, escreve o Esquerda.net, na sua nota de pesar.

O antigo coordenador do Bloco de Esquerda teve uma vida dedicada à atividade política nacional e internacional, às artes e à medicina, tendo mesmo sido um dos autores da nova proposta de Lei de Bases da Saúde.

Membro da direção do movimento cívico “Direito a morrer com dignidade”, João Semedo nasceu a 20 de junho de 1951, em Lisboa, cidade onde frequentou o Liceu Camões e onde se veio a licenciar, na Faculdade de Medicina de Lisboa, em 1975.

Numa entrevista ao jornal 'online' Observador, em abril de 2017, assumia que preferia a política à medicina, porque a política, disse na altura, trata "a sociedade mais do que as pessoas”.

João Semedo, médico, aderiu ao PCP em 1972 e acabou preso em Caxias por duas semanas por distribuir panfletos a exigir eleições livres. Já depois do 25 de Abril, torna-se funcionário do partido e muda-se para o Porto em 1978. Em 1991 viria a demitir-se de funcionário e de membro do Comité Central, regressando ao exercício da medicina.

O regresso ao PCP acontece no final dos anos 1990, mas voltaria a sair para em 2003 fundar o Movimento da Renovação Comunista. No ano seguinte, aceita o convite de Miguel Portas para integrar como independente as listas do Bloco para o Parlamento Europeu. Assim começou a aproximação ao partido — a adesão efetiva acaba por acontecer em 2007 — que chegou a liderar mais tarde, na sequência da saída de Francisco Louçã.

Semedo protagonizou no Bloco candidaturas autárquicas em Gondomar (enquanto independente em 2005), Gaia (2009) e Lisboa (2013).

Estávamos em 2012 quando o BE inaugurou uma coordenação bicéfala, com Semedo e Catarina Martins na liderança. Dois anos depois, João Semedo afasta-se do leme, pondo fim a esta liderança partilhada com Catarina Martins, que se mantém nos comandos do partido até hoje.

Em 2015, João Semedo travava uma luta contra o cancro, que o obrigou a retirar as cordas vocais.

Candidato à Câmara do Porto nas autárquicas de 2017, a doença não permitiu que levasse adiante este desafio, tendo sido substituído por João Teixeira Lopes.

Já no início deste ano, em conjunto com António Arnaut, lançou o livro “Salvar o SNS – Uma nova lei de bases da Saúde para defender a democracia”.

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