Artur Rosa, que nasceu em Lisboa, em 06 de março de 1926, morreu hoje de manhã, no Hospital Egas Moniz, na capital, anunciou o atelier Helena Almeida, num comunicado hoje divulgado.

Formado em arquitetura, pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, Artur Rosa foi distinguido no ano passado com o título de membro honorário da Ordem dos Arquitetos.

Da obra arquitetónica de Artur Rosa, destaca-se a estação de metro do Terreiro do Paço, em Lisboa, obra distinguida com o Prémio Valmor em 2007.

Em 1951, começou a dedicar-se à escultura, sendo da sua autoria uma obra composta por um conjunto de cubos metálicos vermelhos, implantada na avenida Conde Valbom, em Lisboa, perto da Fundação Calouste Gulbenkian. Artur Rosa participou em várias exposições coletivas e realizou também exposições individuais em galerias.

Paralelamente, Artur Rosa criou cenários e figurinos para o Ballet Gulbenkian e para o Teatro Experimental de Cascais.

Artur Rosa era também o responsável pelas fotografias da artista plástica Helena Almeida, nascida em Lisboa, em 1934, com formação em pintura, com quem foi casado, e que morreu em 2018.

Durante mais de 50 anos, Artur Rosa retratou o trabalho da mulher.

Quando, em 2013, realizou uma das maiores exposições sobre a sua obra, no antigo espaço BES Arte & Finança, em Lisboa, Helena Almeida falou sobre o seu processo de trabalho, com o marido.

Com obras que recuavam até 1977, e um conjunto de inéditos em Portugal, a exposição revelava, por exemplo, "Andar, abraçar", um vídeo inédito, de 2010, de 19 minutos, no qual a artista aparece com o marido e liga uma das pernas de cada um com, um fino cabo elétrico.

Agarrados um ao outro, sem fuga possível, percorrem o ateliê, continuamente, de um lado ao outro, até o chão negro ficar cheio de riscos brancos.

Questionada pela Lusa, na altura, sobre o papel do marido, Artur Rosa, na sua obra, já que fotografou todo o seu trabalho, e foi a única pessoa, além da artista, a participar nas composições, Helena Almeida comentou: "Iria estranhar se fosse outra pessoa".

"Estranharia se fosse alguém com quem não tivesse intimidade. Para mim não é importante que seja um grande fotógrafo. Interessa-me que fotografe aquilo que eu quero. É o fundamental", salientou.

"O Artur percebia bem o que eu queria, e estava sempre disponível. Quando éramos novos ele tinha muito trabalho de arquitetura, mas mesmo assim vinha para o ateliê e trabalhávamos", recordou ainda Helena Almeida.

Artur Rosa, por seu turno, também presente na visita à exposição, disse à Lusa que nunca teve de fazer nada mais do que aquilo que Helena pedia: "Fui sempre conduzido", resumiu.

Em maio de 2018, uma exposição sobre a obra de Helena Almeida, centrada nos registos em que aparece com o marido, foi inaugurada no Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, em Lisboa.

"O Outro Casal. Helena Almeida e Artur Rosa" era o título da mostra, explorando afinidades com os artistas Arpad Szenes e Maria Helena Vieira da Silva, que também abordaram a sua ligação, a sua história de amor, na sua própria obra.

Na altura, o museu recuperava uma entrevista de Helena Almeida à curadora Isabel Carlos, em que a artista explicava o motivo por que era "sempre ele" a fotografar: "Porque é importante que as fotografias aconteçam no lugar físico em que eu as pensei e projetei".

"Como tal, tem de ser alguém próximo de mim. Mas antes faço sempre desenhos das situações que quero fotografar. Aliás, a partir da década de 80 passo a usar o vídeo para experimentar, porque um gesto pode ser muito enganador: uma mão mais para o lado é já outra coisa. Então, ensaio primeiro com a câmara [...]. Eu quero a fotografia tosca, expressiva, como registo de uma vivência, de uma ação”, acrescentou.

O processo iniciava-se quase sempre pelo desenho: as posições, os movimentos em que o corpo da artista seria registado, antes das sessões a dois, com Artur Rosa a também entrar por vezes na imagem.

Na obra de Helena Almeida, a imagem do casal surgiu pela primeira vez em 1979, em "Ouve-me", uma sequência de oito fotografias a preto e branco, em jeito de um ‘storyboard’, em que o rosto dos dois artistas se coloca frente a frente.

A partir de 2006, tal como a mostra "O Outro Casal. Helena Almeida e Artur Rosa" demonstrou, o aparecimento de ambos tornou-se mais permanente.

Desse ano faz parte "O Abraço", sequência de fotografias que remete para um outro abraço, o de "O Casal", pintura de 1933, de Arpad Szenes, através da qual se manteve para sempre ligado a Vieira da Silva.

Na exposição foi também revisitado esse "Andar, abraçar", vídeo que teve igualmente expressão fotográfica, e no qual Helena Almeida e Artur Rosa mostravam esse caminho sem fim, cheio de hesitações, dificuldades, de todos os contratempos, no confinamento de um espaço, que superaram através de si mesmos.

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