Nascido em Gales, a 13 de agosto de 1945, Marks diplomou-se em Física na Universidade de Oxford nos anos 1960 antes de se virar para o tráfico de droga, que lhe pareceu mais interessante, nas duas décadas que se seguiram. Foi preso em Espanha, em 1988, e extraditado para os Estados Unidos, onde passou sete anos na prisão e escreveu a autobiografia "Mr. Nice", publicada em 1996. O livro tornou-se um bestseller e Marks embarcou numa carreira de sucesso a fazer espectáculos stand up. O The Guardian, num obituário publicado esta segunda feira, descreve-o como "o traficante mais famoso e mais charmoso do Reino Unido".

Das bandas rock fictícias às aulas de filosofia para mafiosos

Marks tornou-se um dos maiores traficantes de haxixe da Europa nos anos 70 e 80. Enchia de haxixe os equipamentos de som de bandas de rock fictícias, que supostamente partiam em digressão pelos Estados Unidos, conseguindo assim passar a droga para aquele país. Sempre se dedicou às drogas leves, segundo o jornal The Guardian, perturbado pela morte de um amigo com uma overdose de heroína, e tornou-se um grande defensor da legalização da canábis.

Em 1973 foi detido na Holanda e, embora tentasse convencer as autoridades de que os serviços de espionagem britânicos (que alegadamente terão ficado impressionados com a sua rede de contactos) lhe tinham pedido que usasse o pretexto da droga para se infiltrar no IRA, acabou mesmo por ser preso em Inglaterra.

Já em liberdade, continuou o seu negócio com mais discrição: "Fui fugitivo durante seis anos e meio e trafiquei tanta canábis quanta consegui", disse mais tarde, segundo o Guardian "Senti que era o meu destino, o meu karma. Acho que me sentia como um pugilista. Há-de chegar o dia em que acabamos deitados no tapete. Temos de continuar até sermos derrotados".

De novo detido, em 1980 foi levado a julgamento, e, espantosamente, absolvido. Para tal contribuiu o facto de ter convencido o júri com a história, mais uma vez, de que a sua ocupação de traficante escondida uma missão secreta, desta vez no México. E também o seu poder de sedução, que cativou os jurados. Mas no final da década de 80 chegou finalmente a sua hora: foi julgado nos EUA, depois de traído por um antigo sócio, e aí cumpriu pena de 25 anos (sendo libertado ao fim de sete por bom comportamento). Nos seus anos de prisão, ensinou gramática aos outros presos e deu algumas aulas de filosofia frequentadas por membros da mafia.

Foi depois disso que começou a sua bem sucedida carreira como autor. A sua autobiografia vendeu mais de um milhão e cópias. Escreveu também livros de ficção policial e colaborou em vários jornais britânicos.

Teve 43 nomes de código e viveu em várias partes do mundo. "Foi um verdadeiro herói popular moderno, que fez muitas coisas ilegais, divertidas e impactantes", disse um amigo, James Brown, ao The Guardian. "Traficar canábis foi uma maneira divertida de viver", declarou Marks ao jornal The Observer, em entrevista publicada em 2015. "Não consigo arrepender-me de nenhuma parte da minha vida", concluiu. 

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