“A Antram pretende demonstrar de uma forma ainda mais firme o seu inequívoco propósito de chegar a um acordo com todos os trabalhadores do setor e, nessa medida, mostra a sua total disponibilidade para integrar um processo de mediação junto da DGERT (Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho)”, refere em comunicado hoje divulgado.

“É convicção desta associação que um processo de mediação, realizado em clima de paz, poderá conduzir à solução do problema”, acrescenta a direção da Antram no mesmo comunicado.

“Exortamos o SNMMP [Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas], para bem dos portugueses, trabalhadores e empresas, a levantar a greve e a requerer o início de um processo de mediação”, apela a associação, acrescentando acreditar que um processo de mediação, “realizado em clima de paz, poderá conduzir à solução do problema”.

A associação patronal tinha recusado na quinta-feira entrar um processo de mediação do Governo, sustentando que só voltaria à mesa das negociações se o sindicato das matérias perigosas desconvocar a greve.

No entanto, a direção da Antram diz hoje, no mesmo comunicado, que não ficou indiferente ao apelo que o primeiro-ministro fez para que o SNMMP e a associação das empresas de transportes se entendam e terminem a greve.

Na quinta-feira, António Costa saudou o Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias por ter desconvocado a greve e iniciar as negociações com a associação patronal.

“O diálogo faz o seu caminho, devolvendo tranquilidade aos portugueses”, escreveu António Costa na sua página da rede social Twitter.

“Que mais este exemplo inspire todos. Que ninguém fique isolado numa greve estéril que compromete o diálogo”, acrescentou, numa referência ao acordo alcançado entre a Antram e a Fectrans (Federação de transportes afeta à CGTP).

A direção da Antram refere ainda que apresentou, no Ministério das Infraestruturas e Habitação, uma proposta “que permitirá colocar os trabalhadores daquele sindicato em condições idênticas aos trabalhadores afetos à Fectrans e ao Sindicato Independente dos Motoristas de Mercados (SIMM).

“Não obstante essa proposta não ter merecido aceitação por parte dos dirigentes do SNMMP, acreditamos que a mesma ainda possa vir a ser aceite no plenário que aquele sindicato irá realizar amanhã [domingo], 18 de agosto de 2019”, sublinha a direção.

Os motoristas de matérias perigosas cumprem hoje o sexto dia de uma greve convocada por tempo indeterminado, depois de ter falhado um acordo mediado pelo Governo numa reunião que durou cerca de 10 horas, até à madrugada.

A falta de acordo foi comunicada pelo porta-voz do sindicato de motoristas de matérias perigosas e, posteriormente, confirmada pela Antram e pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos.

“Trabalhámos em conjunto com o senhor ministro uma proposta que seria razoável para desbloquear a situação. A Antram rejeitou a proposta e a greve mantém-se”, afirmou à agência Lusa o representante do SNMMP, Pedro Pardal Henriques, no final da reunião.

A greve começou na segunda-feira, 12 de agosto, por tempo indeterminado, para reivindicar junto da Antram o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

A paralisação foi inicialmente convocada pelo SNMMP e pelo SIMM, mas este sindicato desconvocou o protesto na quinta-feira à noite, após um encontro com a Antram sob mediação do Governo.

No final do primeiro dia de greve, o Governo decretou uma requisição civil, parcial e gradual, alegando incumprimento dos serviços mínimos que tinha determinado.

(Notícia atualizada às 13:55)

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