A eleição geral acontece após meses de paralisia política e batalhas entre os diferentes partidos que, depois da votação apertada de dezembro, foram incapazes de formar um governo, levando os cidadãos às urnas novamente.

O primeiro-ministro espanhol e líder do conservador Partido Popular (PP), Mariano Rajoy, é apontado pelas sondagens como vencedor, embora sem alcançar a maioria absoluta. As sondagens apontam também um novo equilíbrio na esquerda. A coligação Unidos Podemos, liderada pelo partido anti-austeridade Podemos, poderia destronar os socialistas do PSOE como líderes da esquerda e tornar-se a principal força da oposição.

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Abstenção poderá ser alta

"Precisamos de uma nova forma de fazer política, com bom senso e atenção aos cidadãos, não só aos peixes grandes", afirma Antonio Pérez, gerente de um quiosque na praia de Alicante, que vota no Podemos. Pilar Román, funcionária pública de 47 anos de Zaragoza (centro), enviou o voto por correio antes de viajar para Alicante. Embora afirme que "queria mudanças", apostou no PP. "Sempre votei neles e, apesar de não gostar do Rajoy, não confio nos partidos novos, não têm experiência para governar".

Algumas sondagens preveem um alto índice de abstenção dos eleitores que, além de estarem cansados das lutas partidárias dos seus representantes, aproveitam o começo do verão europeu para tirar férias. "Desta vez não vou votar. Votei em dezembro e eles (os políticos) não cumpriram os seus deveres", diz Mónica Aranda, economista de 27 anos de Bilbao, que aproveita uma semana de descanso na costa mediterrânea de Alicante.

Historicamente, a abstenção beneficiou o PP de Rajoy, com um eleitorado muito fiel que vê a sua permanência ameaçada pela ascensão da coligação Unidos Podemos.

Baralhar e voltar a dar

Depois de três décadas de alternância no poder, o PP e o Partido Socialista (PSOE) viram-se enfraquecidos nas eleições legislativas de dezembro. O surgimento do partido de esquerda Podemos e o do de centro-direita Ciudadanos desenhou um novo cenário político onde os pactos pós-eleitorais são essenciais. Apesar de ter vencido, o PP perdeu a maioria absoluta e, estigmatizado pela corrupção e cortes no orçamento, não conseguiu nenhum aliado para o governo.

O PSOE (segundo) também falhou na tentativa de formar uma coligação com o Podemos (terceiro) e o Ciudadanos (quarto), com postulados ideológicos muito distantes. Sem outras opções, os eleitores foram chamados às urnas novamente em 26 de junho.

O próximo governo terá uma tarefa complicada pela frente: manter o ritmo atual de crescimento económico, superior a 3%, e ao mesmo tempo curar as feridas deixadas por seis anos de crise, duros cortes sociais e aumento das desigualdades. O PSOE, que provavelmente ficará em terceiro lugar nas eleições, poderá ter que escolher entre ajudar o Podemos a chegar ao governo com uma aliança ou facilitar a continuidade de Rajoy. Por enquanto, descarta ambas as opções, embora isso possa levar a um novo bloqueio do Parlamento.

Durante toda a campanha, o líder conservador posicionou-se como garantia de estabilidade e advertiu para experiências de governos "radicais" como o do Podemos, que quer acabar com as políticas de austeridade implementadas desde a crise de 2008.

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