“Já com a corda na garganta, tivemos que dar o nosso grito de revolta”, lê-se, num comunicado enviado à agência Lusa.

No documento, pede-se à ministra da Cultura, Graça Fonseca, que “não deixe acabar uma instituição que é a menina dos olhos de uma região”.

“Não mande para o desemprego 38 pessoas (34 instrumentistas e quatro funcionários), que apenas fazem o seu trabalho e não têm qualquer responsabilidade na parte financeira”, refere-se, assinalando ter “chegado a hora de passar a pente fino o que as contas refletem e responsabilizar aqueles que não as reconhecem.”

A comissão de trabalhadores assinala que a tarefa da orquestra foi muito afetada com a chegada da covid-19, que levou à “anulação de concertos, sabe-se lá até quando”. Contudo, alerta-se depois, aquele problema “não é o pai de todos os males”.

“Esses já vêm de trás e até ao momento ainda não foi encontrada a poção mágica para o problema”, lamentam os trabalhadores.

Num esclarecimento enviado hoje à Lusa, a direção executiva da Associação Norte Cultural, entidade gestora da Orquestra do Norte, admite a existência de salários em atraso dos meses de janeiro e fevereiro, estando o mês de março ainda a terminar.

Assinala-se, depois, que “na próxima semana haverá condições para pagamento dos salários de janeiro e fevereiro, após a transferência de parte do financiamento contratualizado e respeitante ao primeiro trimestre de 2020″.

Esse desenvolvimento, explica aquela entidade, resulta da “profícua relação com a Direção-Geral das Artes/Ministério da Cultura”.

Indica-se também que, nos últimos meses, têm sido tomadas decisões para resolver as dificuldades de financiamento da orquestra, fixando-se, nomeadamente, um valor mínimo de contribuição dos associados, a maioria municípios.

Essa decisão procura, segundo a entidade gestora da orquestra, traduzir um “maior comprometimento por parte dos municípios da região norte, aproximando o seu financiamento aos 40% previstos na Carta de Missão das Orquestras Regionais”.

A Associação Norte Cultural foi constituída em 1992, tendo como membros fundadores as câmaras municipais de Alijó, Bragança, Vila Real, Guimarães, Vieira do Minho, Póvoa de Lanhoso, Montalegre, Terras de Bouro, Torre de Moncorvo, Caminha, Chaves e Fafe.

A Fundação Casa de Mateus, a Fundação Cupertino de Miranda e alguns cidadãos também integraram o elenco de fundadores da associação.

No final de janeiro, aquela associação que detém a Orquestra do Norte defendeu que o apoio financeiro do Estado, face às debilidades de tesouraria, devia ser reforçado com “caráter de urgência”.

“O apoio do Estado Central necessita ser reforçado com caráter de urgência”, considerava José Bastos, diretor executivo da Associação Norte Cultural, assumindo que a instituição passava por “alguns constrangimentos na sua operação, que implicam transtornos vários”.

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