A morte de George Floyd voltou a mobilizar multidões. E se é factual que os protestos começaram nos Estados Unidos, a realidade é que a luta contra o racismo alastrou para o resto do globo. O problema não é exclusivo de um só país nem de um só continente. Pode ter começado num, mas o apelo pela justiça estende-se aos vários cantos do mundo. 

As vozes levantaram-se, os corpos ajoelharam (até o do primeiro-ministro do Canadá). De Paris ao Brasil, de Londres à Alemanha, os manifestantes marcharam contra o racismo. Não o fizeram somente pela brutalidade policial que se revelou fatal para o Floyd; fizeram-no porque Floyd foi a gota de água que desencadeou uma tempestade necessária porque os nomes das vítimas se vão acumulando. 

“Estamos aqui pelo George Floyd, pelo Tamir Rice, pelo Trayvon Martin, pelo Eric Garner. Estamos aqui por todos os que foram oprimidos por este sistema racista em que ainda vivemos hoje em dia”, disse um manifestante em Londres, ao pé da embaixada norte-americana, numa peça da SIC Notícias.

Em inglês e italiano, em Nápoles, os manifestantes gritaram pela “Liberdade!”, naquele que foi um dos primeiros protestos em Itália de solidariedade com Floyd e contra o racismo. Na Alemanha, milhares estiveram nas ruas de Berlim, Munique e Frankfurt. “Não temos qualquer tolerância face ao racismo”, disse o presidente da câmara desta última.

Contudo, por cá, também se assinalou o dia. 

“Vidas Negras Importam”, disseram hoje milhares em Portugal, país onde se ouviu que “também há intolerância”. Da Alameda à Praça do Comércio, em Lisboa, os bombos marcaram o passo e durante duas horas e meias, numa distância de cinco quilómetros, também se levantaram as vozes. Em Londres, apelou-se à igualdade. Na capital, falou-se em saturação. 

“Estamos saturados”, dizia uma mulher à agência Lusa, esta tarde, durante a manifestação. Justificou dizendo que os negros “continuam a sentir racismo em várias situações do dia a dia”. 

Na Invicta, no mesmo dia que decorria o primeiro dia de eleições no FC Porto, na Praça da Cordoaria, frente à antiga Cadeia da Relação do Porto, houve marcha que seguiu até à Avenida dos Aliados. “O que aconteceu George Floyd, nos EUA, é uma coisa que pode acontecer comigo a todo o momento, porque há uma coisa que temos em comum, que é a cor da pele”, disse uma mulher presente. 

Porém, Portugal não é só Lisboa e Porto. E foram várias cidades portuguesas que hoje se juntaram à campanha de solidariedade mundial contra o racismo. No quadro da ação mundial “Black Lives Matter”, estavam agendadas iniciativas também em Braga, Coimbra e Viseu. 

Os protestos começaram em Minneapolis, mas num par de noites galoparam para muitas outras cidades norte-americanas. Só que, a julgar pelos protestos, não se trata de um problema dos Estados Unidos, mas do mundo. E, hoje, o mundo cerrou o punho e gritou “Vidas Negras Importam”. 

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