Até agora um fenómeno atribuído aos humanos, o “efeito avó” afinal também parece acontecer nas orcas.

“Este é o primeiro exemplo não-humano do ‘efeito avó’ numa espécie que tem menopausa”, disse à agência France-Presse Daniel Franks, um dos autores do estudo e cientista da Universidade de York.

O que é este “efeito avó”? É, no fundo, as baleias fêmeas em fase pós-reprodutiva ajudarem a cuidar dos elementos mais novos da família.

A importância do estudo é explicada no início do texto onde a descoberta é divulgada. O motivo pelo qual “algumas espécies de baleias têm menopausa é um puzzle em termos de evolução”, lê-se no documento. Nos humanos, as fêmeas em fase pós-reprodutiva trazem o benefício de poderem ajudar a cuidar dos seus familiares.

Neste estudo, "mostramos que as orcas avós aumentam as hipóteses de sobrevivências dos netos, e este efeito é maior quando as avós já não se encontram a reproduzir”, explicam os cientistas.

A equipa responsável pela investigação descobriu que os animais que são acompanhados pelas “avós” apresentam uma taxa de sobrevivência mais alta. Os indivíduos que perderam as avós nos últimos dois anos morreram 4,5 vezes mais do que os outros.

Este efeito é ampliado durante períodos de escassez alimentar.

“Já tínhamos mostrado que as avós em fase pós-reprodutiva conduzem o grupo para áreas de alimento, e que têm um papel importante a fazer isso em momentos de maior necessidade, quando o salmão escasseia”, explicou Franks.

O cientista acrescenta que as baleias também “partilham diretamente comida com os elementos mais novos”. “E suspeitamos que façam babysitting”, disse ainda o cientista.

As baleias assassinas deixam de se reproduzir quando atingem os 30 ou 40 anos de idade, mas ainda vivem por mais umas décadas. O mesmo se passa apenas com os humanos e quatro outras espécies de mamíferos, todas elas baleias, explicam os autores.

A investigação focou-se em 378 exemplares de baleias que tinham avó e analisou os dados recolhidos sobre grupos de baleias desta espécie ao largo da costa dos Estados Unidos e da costa oeste do Canadá (região da British Columbia).

A equipa inclui cientistas da Universidade Exeter, do Centro para a Investigação sobre Baleias dos EUA e da Pacific Biological Station, um centro de investigação pesqueira da costa do Canadá.

*Com agência AFP

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