O NRP Mondego sofreu uma avaria quando navegava em direção às Ilhas Selvagens com a missão de fazer a rendição da equipa de vigilantes naquele território, adianta a RTP.

A informação foi posteriormente confirmada pela Marinha. “O NRP [Navio da República Portuguesa] ‘Mondego’ largou ontem [segunda-feira], pelas 22:20 horas, do porto do Funchal por forma a efetuar a rendição dos agentes da Polícia Marítima e de elementos do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza nas Ilhas Selvagens, tendo, por motivos de ordem técnica, regressado, ao inicio da manhã de hoje, ao porto do Caniçal, em segurança”, avançou o Comando da Marinha da Zona Marítima da Madeira, em comunicado.

A informação adianta que o navio “será objeto, ainda hoje, de uma inspeção técnica por parte de peritos da direção de Navios, que se deslocarão à ilha da Madeira”.

Segundo a mesma autoridade, a rendição dos elementos destacados nas Ilhas Selvagens será assegurada hoje pelo navio ‘Setúbal’.

No passado dia 11 de março, o NRP Mondego falhou uma missão de acompanhamento de um navio russo a norte da ilha de Porto Santo, no arquipélago da Madeira, após 13 militares terem recusado embarcar, alegando razões de segurança.

Segundo a RTP, esta terá sido a primeira missão desde este incidente — era suposto ter saído esta segunda-feira, o que não aconteceu, adianta a Marinha, devido a um "contratempo".

Não se sabe qual foi o motivo da avaria, nem foram dadas explicações oficiais, mas a emissora adianta ter sido avistado fumo a sair das chaminés do navio.

Este contratempo para o NRP Mondego adensa a controvérsia à volta do estado da embarcação, já que a Marinha contradisse os militares que se recusaram a tomar parte na missão, dizendo que o navio estava em condições de partir. Tal foi sustentado pelo ramo das Forças Armadas por uma inspeção posterior ao incidente.

No entanto, a defesa dos 13 marinheiros alegou haver "indícios de prova que foram apagados" pela Marinha, pedindo então diligências de prova.

Fonte ligada à defesa adiantou à agência Lusa no dia 19 que "há indícios de prova que estão a ser apagados" e que o navio Mondego "foi todo limpo" a 15 de março, antes da ida ao local de duas televisões. Um avião carregado de material terá voado até ao Funchal para permitir reparações no navio, acrescentou.

A fonte referiu que a Marinha Portuguesa sustenta que o navio Mondego estava em "condições de partir" para o mar e que isso é "comprovado por uma inspeção". Só que a dita inspeção foi feita pela Marinha, sem a presença de quaisquer outras entidades, e com base nisso se "começaram a fazer reparações a bordo do navio", disse.

Pelo contrário, a Marinha nega ter apagado qualquer prova de avarias no navio Mondego, alegando que algumas das reparações contaram com a participação dos militares que se tinham recusado a embarcar para uma missão na Madeira.

“A Marinha refuta cabalmente que tenha apagado qualquer prova”, lê-se num comunicado divulgado pelo ramo. No texto é referido que “a inspeção realizada confirma as avarias em questão que, contudo, não eram impeditivas do cumprimento da missão em segurança”.

A Marinha acrescentou que “o navio prossegue a sua preparação” e que “algumas das avarias foram, inclusive, reparadas com a participação dos militares que destacaram do navio na semana passada”.

Dada a avaria hoje detetada, o presidente da Associação Nacional de Sargentos, António Lima Pereira, disse à RTP3 que este mais recente problema deu razão aos militares que se recusaram embarcar, já que “reflete bem que aqueles 13 bravos marinheiros sabiam bem o que estavam a fazer, sabiam o risco que estavam a correr e assumiram uma posição de grande coragem”.

“Seria bom que muitos daqueles que ouvimos nos dias subsequentes àquele dia 11 de março, muitos comentadores que vieram fazer ataques de caráter àqueles profissionais, se retratassem porque ainda vão a tempo disso”, afirmou ainda.

Entre as várias limitações técnicas invocadas pelos militares para se recusarem a embarcar constava o facto de um motor e um gerador de energia elétrica estarem inoperacionais, entre outras alegadas deficiências do navio.

A Marinha confirmou que o navio ‘Mondego’ estava com “uma avaria num dos motores”, mas referiu que os navios de guerra “podem operar em modo bastante degradado sem impacto na segurança”, uma vez que têm “sistemas muito complexos e muito redundantes”.

O Ministério Público marcou uma audição para estes militares, mas adiou-a por decisão da procuradora para analisar o processo com mais detalhe, foi anunciado pela defesa.

Os militares em causa iam ser ouvidos pela Polícia Judiciária Militar (PJM), em Lisboa, no âmbito de inquérito criminal após participação feita pela Marinha. O ramo também já instaurou processos disciplinares.

Em causa estarão infrações ao código da Justiça Militar por “insubordinação por desobediência” e “insubordinação por prisão ilegal ou rigor ilegítimo”.

O chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Gouveia e Melo, criticou, em declarações feitas no porto do Funchal, os militares do navio ‘Mondego’ que desobedeceram às ordens, dizendo que o caso é de “uma gravidade muito grande” e que a “Marinha não pode esquecer, ignorar ou perdoar atos de indisciplina”.

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