Os palestinianos, e com amplo consenso internacional, consideram todo o território da Cisjordânia como o núcleo do seu futuro Estado independente.

A anexação de uma parte importante deste território comprometeria as já reduzidas esperanças de uma solução de dois Estados.

Numa aparente referência à administração norte-americana de Donald Trump, um aliado incondicional, Netanyahu disse que Israel tem uma “oportunidade histórica” que não pode ser desperdiçada para redesenhar o mapa do Médio Oriente.

Os ‘media’ israelitas referiram que Netanyahu pretende aplicar o plano de anexação em julho.

“Esta é uma oportunidade que não vamos deixar passar”, disse a membros do seu partido conservador Likud, acrescentando que a “oportunidade histórica” de anexar a Cisjordânia nunca ocorreu desde a fundação de Israel, em 1948.

Esta abordagem arrisca-se a conduzir Israel para um confronto com aliados árabes e europeus, e aprofundar uma crescente divisão sobre Israel que começa a emergir nos corredores de Washington.

Israel ocupou a Cisjordânia em 1967, na sequência da designada “Guerra dos Seis Dias”.

Desde então instalou 500.000 colonos judeus no território, mas nunca o reivindicou formalmente como território israelita devido à forte oposição internacional.

No entanto, a administração de Donald Trump tem adotado uma posição mais complacente face aos colonatos israelitas em comparação com os seus antecessores.

A equipa de Trump sobre o Médio Oriente é hegemonizada por conselheiros com fortes ligações a ideólogos sionistas e aos colonatos, e o seu plano para o Médio Oriente, revelado em janeiro, prevê que pelo menos 30% do território seja permanentemente anexado por Israel, concedendo aos palestinianos uma autonomia reforçada nas restantes áreas.

Os palestinianos já rejeitaram o plano após terem considerado que é injusto e favorece os objetivos expansionistas do Estado judaico.

Perante a incerteza de uma reeleição de Trump nas presidenciais de novembro, a ala ultra-direitista do poder israelita exortou o primeiro-ministro a acelerar o processo de anexação.

O novo acordo de coligação entre o líder do Likud e Benny Gantz, dirigente da aliança centrista Azul e Branco, inclui uma cláusula oficial que permite a Netanyahu apresentar o seu plano de anexação ao governo em julho.

De acordo com os ‘media’ israelitas, o primeiro-ministro terá referido aos membros do Likud que existe “uma data chave para julho e não existe a intenção de alterá-la”, mas a citação não foi de imediato confirmada, indica a agência noticiosa Associated Press (AP).

O plano já motivou posições divergentes em Washington.

Joe Biden, o mais do que provável candidato do Partido Democrata às eleições presidenciais norte-americanas de 03 de novembro, disse recentemente que a anexação iria “eliminar” as esperanças de uma solução de dois Estados.

Dias atrás, 18 senadores democratas avisaram numa carta que a anexação poderá prejudicar os laços entre os EUA e Israel.

O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrel, disse que a anexação viola a lei internacional e prometeu utilizar “todas as nossas capacidades diplomáticas” para travá-la.

A Arábia Saudita, um influente país árabe que nos bastidores mantém relações com Israel, anunciou a sua “rejeição das medidas de planos israelitas para anexar terras palestinianas”.

A Liga Árabe definiu a anexação como um “crime de guerra” e o Egito e a Jordânia — os dois únicos países árabes que firmaram acordos de paz com Israel — também emitiram críticas.

Netanyahu pronunciou-se um dia após ter comparecido em tribunal indiciado por crimes de corrupção.

O primeiro-ministro emitiu duras críticas ao sistema judicial do país após a chegada ao tribunal ao acusar a polícia, os procuradores e os media de conspiração para o afastar do poder. No exterior do edifício, decorreram manifestações paralelas a favor e contra o primeiro-ministro.

Hoje, ao discursar perante os membros do Likud, Netanyahu disse estar “muito comovido” pelo apoio.

As vozes críticas já referiram que estes ataques ao sistema de justiça se arriscam a “minar os fundamentos democráticos” do país.

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