“O número varia todos os meses – a contagem é mensal – e tendencialmente está a subir”, disse Sílvia Ferreira, coordenada da delegação regional do CASA, instituição que integra o grupo de trabalho responsável pela avaliação dos sem-abrigo no arquipélago, juntamente com a Associação Protetora dos Pobres, a Associação Conversa Amiga e a Assistência Médica Internacional.

Segundo a responsável, além dos 72 sem-abrigo, estão ainda sinalizadas 22 outras pessoas que dispõe apenas de um quarto rudimentar para pernoitar.

Quanto ao perfil das pessoas que vivem na rua, Sílvia Ferreira indicou que sofreu alterações desde 2008, ano em que o CASA iniciou a atividade na região autónoma, passando maioritariamente de idosos com patologias mentais para jovens na faixa etária dos 20 anos.

“Isto acontece devido às drogas químicas que são vendidas a 2,5 euros ou a cinco euros e que são legais”, alertou a responsável, vincando que a dependência destas substâncias transforma facilmente um jovem num sem-abrigo.

A situação, sublinha, é “grave” e carece de “medidas estruturais”.

“Quanto se encontram sob o efeito dessas drogas, ficam completamente alucinados, não conseguimos falar com eles. Houve semanas aqui complicadas, tivemos de chamar a polícia, queriam-nos bater. E não podemos fazer nada, a não ser esperar que o efeito passe”, lamentou.

A sede do Centro de Apoio ao Sem-Abrigo está instalada no interior de um parque de estacionamento à entrada da cidade, onde também funciona a cantina social, que serve pequenos-almoços de segunda a sexta-feira e jantares todos os dias.

Três vezes por semana são também entregues cabazes de compras mensais a famílias carenciadas, num total de 600 agregados, muitos em risco iminente de se tornarem sem-abrigo.

“Temos alguns casos de sucesso ao nível da reintegração e isso tem a ver com o acompanhamento e o elo de confiança que se cria entre a instituição, os voluntários e os utentes”, disse Sílvia Ferreira, afirmando que o processo decorre por vezes durante anos e sempre com “altos e baixos”.

A coordenadora do CASA destaca que, ao contrário das famílias carenciadas, o fenómeno dos sem-abrigo na região autónoma ocorre apenas no Funchal, embora muitas dessas pessoas possam ser originárias de outras zonas.

Quando iniciou a atividade no arquipélago, o Centro de Apoio ao Sem-Abrigo fornecia refeições quentes e embaladas nos arredores do Mercado dos Lavradores, no centro da capital madeirense, estendendo depois a sua ação aos concelhos de Santa Cruz (zona leste) e Ponta do Sol (zona oeste) no apoio a famílias carenciadas.

Atualmente funciona com quatro funcionários assalariados – coordenadora, assistente social, motorista e empregada – e 380 voluntários, responsáveis pela recolha de excedentes alimentares em vários hotéis e pastelarias e respetiva distribuição pelos utentes.

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