Uma equipa internacional de investigadores usou câmeras subaquáticas de última geração para encontrar o novo peixe no fundo da fossa do Atacama, no Oceano Pacífico, a uma profundidade de 7.500 metros - e ficaram surpresos com a sua abundância num ambiente tão inóspito.

"Estas coisas estão no limite do que todos os peixes podem aguentar, então naquela profundidade pode-se esperar que talvez se tenha sorte de ver um ou dois a batalhar para sobreviver", disse à AFP nesta sexta-feira Alan Jamieson, professor sénior de ecologia marinha da Universidade de Newcastle. "Mas há lá bastantes", acrescentou.

Temporariamente denominados peixe-caracol rosa, azul e roxo do Atacama, as criaturas, até então desconhecidas, têm entre 20 e 25 centímetros de comprimento, são translúcidas e não têm escamas.

Eles parecem ser exclusivamente adaptadas às condições presentes a pouco mais de sete quilómetros abaixo da superfície do oceano, onde os dias são permanentemente escuros e a temperatura da água mal chega a dois graus Celsius.

Em tais profundidades, a pressão é tão grande que animais de tamanho maior seriam esmagados sob a sua própria massa. "É o equivalente a ter um peso de 800 quilos colocado no seu dedo mindinho", disse Jamieson.

Os investigadores acreditam que os peixes podem ter evoluído para viver no fundo do mar para evitar presas maiores.  "As estruturas mais duras nos seus corpos são os ossos do seu ouvido interno, que lhes dão equilíbrio, e os seus dentes", disse Thomas Linley, um investigador de Newcastle que participou da expedição.

Peixe Atacama
A renderização da estrutura óssea de um dos peixes-caracol encontrados na fossa do Atacama créditos: AFP or licensors

Na verdade, por serem feitos quase totalmente de uma substância parecida com o gel, os peixes morreriam sem a pressão esmagadora que os mantém inteiros. "Os seus corpos são extremamente frágeis e derretem rapidamente quando trazidos para a superfície", disse Linley.

A fossa do Atacama ocupa quase 6.000 quilómetros ao longo da costa oeste da América do Sul e tem cerca de 8.000 metros de profundidade.

Jamieson disse que a descoberta da equipa deve dar esperança aos investigadores que trabalham para descobrir novas espécies em alguns dos cantos menos explorados do planeta. "A descoberta de novas espécies não se limita a pequenas coisas na lama ou minúsculas alforrecas, aqui há três espécies de peixes com cerca de 20-25 cm de comprimento", disse.

"A trincheira do Atacama é do mesmo tamanho da Cordilheira dos Andes. Se conseguimos colocar uma câmera lá embaixo e encontrar três novas espécies em questão de dias... é prova de que essas coisas não são raras - elas só estão fora de alcance".

Com mais de 300 variedades conhecidas de peixe-caracol, Jamieson disse que este se adaptou a uma grande variedade de condições, algumas extremamente difíceis de se sobreviver.

"A maioria deles vive em níveis superficiais (...). Eles são uma família incrível que evoluiu para se adequar a todos os nichos, todos os cantos do planeta", afirmou.

O investigador admitiu, no entanto, estar impressionado com as variedades recém-descobertas e a sua capacidade de prosperar em alguns dos ambientes mais duros da Terra.

"A temperatura da água nessas trincheiras é sempre menor do que 2ºC - o que por si só é bastante difícil, sem falar na pressão (...) e na baixa quantidade de alimento", acrescentou.

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