Este desafio dirigido às forças de esquerda do parlamento foi feito por Porfírio Silva, também vice-presidente do Grupo Parlamentar no PS, através de um texto que publicou no seu blogue pessoal, intitulado "Machina Speculatrix".

"Para assumir as suas responsabilidades, a esquerda plural (o PS, o BE, o PCP, o PEV) tem de voltar a sentar-se à mesa e assinar um compromisso político conjunto, com um horizonte pelo menos até ao fim da corrente legislatura, onde fique traçado o essencial do rumo e do método para darmos ao país a estabilidade política positiva que é necessária para fazermos frente à pandemia - e para vencermos a pandemia dentro da pandemia que é o aumento das desigualdades sociais", sustenta o membro da direção dos socialistas.

Porfírio Silva avisa depois que, se os partidos de esquerda não reunirem as ferramentas para poderem fazer o que o país necessita, e se "deixarem a direita tomar conta do país neste contexto", os portugueses "sofrerão de novo o peso das políticas antissociais da anterior crise".

"A esquerda plural não pode desperdiçar energias e deve concentrar-se, focar-se no essencial - o que passa por um compromisso claro acerca, precisamente, do que é essencial e prioritário", reforça o dirigente socialista.

Em relação aos resultados das eleições presidenciais de domingo, Porfírio Silva reitera as suas críticas quer à opção de os socialistas darem apoio "declarado ou implícito" a Marcelo Rebelo de Sousa, quer à linha seguida por Ana Gomes ao longo da campanha eleitoral.

"Em maio de 2020, quando foi possível debater explicitamente as eleições presidenciais nos órgãos do meu partido, apresentei o meu ponto de vista, com dois alertas: Primeiro, o apoio, declarado ou implícito, do PS a Marcelo Rebelo de Sousa introduziria desequilíbrios no regime democrático, porque, ao criar a expectativa de uma votação esmagadora (com o apoio de todos os partidos que alguma vez governaram Portugal em democracia constitucional), abriria um novo espaço à direita extrema", aponta.

Segundo Porfírio Silva, ofereceu-se assim ao líder do Chega, André Ventura, "o bónus de ser a principal novidade das presidenciais e, consequentemente, o palco da campanha, sendo desse palco que vivem os movimentos contra o sistema democrático".

"Com a agravante de que o palco à extrema-direita perturba a capacidade do PSD para ser uma alternativa decente de governo", refere depois.

O membro do Secretariado Nacional do PS frisa também que, dentro do seu partido, alertou igualmente "para o perigo de, naquele cenário de união de facto" com Marcelo Rebelo de Sousa, ter-se na área socialista "somente uma candidatura populista, sem histórico de um programa de esquerda articulado e coerente, mas vocal na crítica à política e nos ataques ao PS".

"Infelizmente, creio hoje que os factos mostram que tinha razão. A reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa é um resultado que, em si mesmo, nem coloca em perigo nem enfraquece a democracia. Pode vir a ser um risco para a governação socialista, e é provável que isso aconteça no segundo mandato", adverte.

Já em relação à candidatura da diplomata e ex-eurodeputada do PS Ana Gomes, Porfírio Silva considera que não foi capaz de preencher o espaço político tradicionalmente ocupado pelo seu partido "na medida em que resvalou permanentemente para o discurso de uma candidatura contra o PS".

"Insistiu nos temas do populismo justiceiro que sabe serem inaceitáveis para muitos democratas e, finalmente, decidiu misturar a candidatura com a vida interna dos socialistas (pecado mortal de qualquer candidato, qualquer que seja o partido que implique)", acrescentou, aqui numa alusão ao apoio que Ana Gomes manifestou a uma eventual candidatura de Pedro Nuno Santos à liderança do PS.

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