"Cada um de nós tem de observar o que faz e como interage com o mundo como um todo. Eu vi em primeira mão como uma ou duas pessoas podem destruir todo o ecossistema da água de uma cidade", referiu a ativista convidada a participar no fórum internacional GTM - Gaia Todo um Mundo, que decorre entre quinta-feira e domingo em Vila Nova de Gaia.

Em declarações à Lusa, LeeAnne Walters, mentora do movimento que levou Obama, em 2016, a declarar o estado de emergência numa pequena cidade do Michigan e que mobilizou toda uma comunidade, afirmou que a atribuição este ano do Goldman Environmental Prize, considerado o "prémio Nobel Verde" ou do Ambiente, traz responsabilidades acrescidas na promoção do desenvolvimento sustentável.

Sobretudo, acrescenta, nos Estados Unidos da América, onde o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou em junho de 2017 que o país se retirava do Acordo de Paris sobre o clima.

"Acho que o facto de ele não aceitar que a mudança climática é real é infelizmente comum nos dias de hoje. Em vez de tentar investir em carvão, a América deveria procurar investir nas energias renováveis", sustentou.

A norte-americana, mãe de quatro filhos, recolheu mais de 800 amostras de água do bairro em que vivia e os resultados revelaram que esta água era mais perigosa do que o lixo tóxico.

Segundo a ativista, os seus filhos ainda têm problemas de coordenação e dificuldades na fala, como resultado do envenenamento por chumbo.

Os problemas começaram em 2014, quando os moradores de Flint, com cerca de 100 mil habitantes, se começaram a queixar de alergias na pele, dores de cabeça e queda de cabelo, consequência do consumo de água pública que, mais tarde, se veio a confirmar que estava carregada de chumbo, um metal pesado.

À data, as denúncias foram ignoradas pelas autoridades de Flint que devido a problemas financeiros se encontrava sob o controlo de um gestor nomeado pelo estado do Michigan, que tinha a missão de cortar nos gastos.

Flint era o município que mais pagava pelo consumo de água e por isso foi tomada a decisão de se desligar do sistema de abastecimento de água de Detroit e passar a abastecer a cidade no rio Flint, cujas águas eram altamente corrosivas para as canalizações mais antigas, que começaram a desfazer-se, lançando para a água quantidades tóxicas de chumbo.

Atualmente, a ativista lidera um movimento que pretende fazer testes independentes à água potável em todos os estados norte-americanos, acreditando que os atuais parâmetros não garantem que seja seguro o consumo daquela água.

Walters defende que é necessário mudar os critérios da Agência de Proteção Ambiental dos EUA no caso do chumbo e do cobre, de modo a que as cidades não possam contornar as análises.

A segunda edição do Fórum Internacional GTM - Gaia Todo um Mundo decorre no centro histórico de Gaia e vai reunir "pensadores e criadores, de várias nacionalidades" para ali criar "um cais ligado ao planeta", explicou a organização.

Na vertente reservada ao Pensamento, cujo programador é Nuno Cobanco, os debates terão temas como "Recursos Hídricos: Os Desafios para a Sustentabilidade e Sobrevivência do Homem" e "O Impacto Económico da Água".

LeeAnne Walters é convidada a participar na conferência de sexta-feira, pelas 10:00, dedicada ao Goldman Environmental Prize e com a presença prevista do diretor executivo Mike Sutton.

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