“O plano estratégico do Lone Star para o Novo Banco inclui a manutenção do foco central da sua atividade no atendimento da sua base de clientes em Portugal, com particular destaque para o segmento empresarial. O projeto prevê um trabalho muito próximo com a atual equipa de gestão, contando com a liderança do seu presidente executivo, António Ramalho, cujo conhecimento da instituição é fundamental para sua revitalização”, lê-se na nota enviada à imprensa assinada pelo presidente do Lone Star para a Europa, Olivier Brahin.

O Banco de Portugal anunciou hoje de manhã ter selecionado o fundo norte-americano para uma “fase definitiva de negociações, em condições de exclusividade”, no processo de venda da participação do Fundo de Resolução no Novo Banco, e já à tarde o Lone Star confirmou estar empenhado em chegar a “acordo final” com o Banco de Portugal “para apoiar o Novo Banco beneficiando, no longo prazo, os seus clientes, colaboradores, credores e a economia portuguesa em geral”.

O Lone Star diz que nos últimos meses levou a cabo uma “análise aprofundada” e que sabe da “importância do Novo Banco para o futuro da economia portuguesa” e afirma que é “com expectativa” que aguarda trabalhar “com a equipa de António Ramalho e os colaboradores do Novo Banco”.

“Estamos profundamente otimistas em relação a Portugal e ao futuro da economia do país, e é, por isso, que procuramos proporcionar o capital, os recursos e os conhecimentos necessários para que o Novo Banco continue a ser um pilar forte e focado no mercado doméstico do sistema bancário português", conclui Olivier Brahin.

O Lone Star não adianta informação sobre a solução que está a ser desenhada para comprar o Novo Banco e, apesar de referir que quer fortalecer “a posição de capital do banco”, também não indica que montante poderá injetar.

Este domingo à noite, na SIC, o ex-líder do PSD e comentador Marques Mendes disse que a proposta atualmente em cima da mesa prevê que a Lone Star fique com a maioria do capital do Novo Banco, mas que o Fundo de Resolução (único acionista deste) mantenha ainda uma participação, que poderá rondar os 35%, num mecanismo de partilha dos riscos associados aos ativos problemáticos que o Novo Banco detém.

Há ainda a hipótese de ser outra entidade pública, que não o Fundo de Resolução, a ficar com uma participação no Novo Banco.

O importante é que a solução tenha a ‘luz verde’ da Direção-Geral da Concorrência, para garantir que tudo é feito em consonância com as regras europeias, nomeadamente que não há ajuda de Estado.

Quanto à recapitalização do Novo Banco, que é necessária, o comentador afirmou que o Lone Star estará disponível para colocar 1.000 milhões de euros para reforçar a solidez do banco e limpar balanço, nomeadamente com o registo de mais imparidades para ativos problemáticos.

Já no início de janeiro passado o Banco de Portugal tinha apontado a Lone Star como “a entidade mais bem colocada” para finalizar “com sucesso” a compra do Novo Banco, tendo na altura anunciado que iria convidar o fundo “para um aprofundamento das negociações”.

O fundo norte-americano passou para a frente nas negociações depois de, no final de 2016, ter sido noticiado que, entre os concorrentes, o fundo chinês Minsheng tinha a melhor proposta financeira, mas não apresentou provas de que conseguiria pagar o montante oferecido, devido às restrições de movimentação de divisas na China.

Oficialmente, na corrida à compra do Novo Banco estava ainda o fundo norte-americano Apollo/Centerbridge, que tem sido muito discreto no posicionamento sobre este tema.

O Novo Banco é o banco de transição que ficou com os ativos menos problemáticos do Banco Espírito Santo (BES), alvo de uma intervenção das autoridades em 03 de agosto de 2014, e que está em processo de venda.

Por acordo com a Comissão Europeia, o Novo Banco tem de ser vendido até ao verão deste ano.

O Lone Star Funds foi fundado em 1995 e investe nos setores financeiro e no imobiliário. Em Portugal, tem um investimento em Vilamoura.

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