Há 52 anos, os Estados Unidos da América, coroando uma longa corrida espacial, em grande parte ganha pela União Soviética, pisavam a lua. Quer os astronautas, quer os cosmonautas tinham ao dispor tecnologia muito anterior aos nossos smart-telemóveis e até smart-máquinas-de-lavar-loiça.

Eram desafios de nações, pequenos passos dos países mais poderosos do planeta para empurrar adiante a humanidade.

Hoje, ir ao espaço mais parece um exercício dos egos de homens brancos com mais dinheiro que aquele que conseguem gastar.

O homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, alcançou esta terça-feira o espaço, juntamente com mais três passageiros, a bordo do foguetão New Shepard, da empresa Blue Origin, que fundou, tendo superado os 100 quilómetros de altitude.

Três minutos depois da descolagem, a cápsula onde seguiam os quatro turistas espaciais libertou-se do foguetão e superou a linha Karman, o limite reconhecido internacionalmente entre a atmosfera terrestre e o espaço.

Junto com Jeff Bezos, fundador da empresa de comércio 'online' Amazon, seguiram no primeiro voo tripulado da Blue Origin o irmão Mark, a pioneira da aviação norte-americana Wally Funk, de 82 anos, e o estudante holandês Oliver Daemen, de 18 anos, filho de um multimilionário, que pagou a viagem.

Wally e Oliver passaram a ser, com esta curta viagem de 11 minutos, a pessoa mais velha e mais nova no espaço.

De volta à Terra, à saída da cápsula, Jeff Bezos, que usava um chapéu de 'cowboy', e os restantes elementos foram recebidos com gritos de alegria pelas equipas da Blue Origin.

"Foi o meu melhor dia", exclamou o multimilionário, ainda no interior da cápsula, depois de aterrar.

Posteriormente, numa conferência de imprensa, Bezos afirmou que ficou surpreendido ao ver a "beleza e fragilidade" da Terra vista do espaço, um retrato muito semelhante ao que é feito pelos astronautas. "Todos os que estiveram no espaço disseram que isso mudou-os e que ficaram estupefactos, atordoados pela Terra e a sua beleza, mas também pela sua fragilidade. Concordo plenamente", disse.

A viagem do antigo patrão da Amazon (envolvido em inúmeras polémicas sobre a forma como os seus trabalhadores são tratados), acontece pouco tempo depois da também viagem turística espacial inaugural da Virgin Gallactic, onde seguiu o patrão e multimilionário britânico Richard Branson — que, contudo, não foi tão alto.

Corrida pelo espaço ou corrida pelos egos, é sempre bom constatar os galopes da evolução tecnológica (ou do futuro do turismo). Mas mais importante do que isso seria questionar a monumental desigualdade que permite a vários homens ricos e brancos conseguirem ir sozinhos onde antes apenas as duas nações mais poderosas do planeta conseguiam. Bezzos, Branson e Musk pulam e avançam — mas a que preço?

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