“[Apesar dos progressos alcançados pelos militantes e ativistas dos direitos cívicos], não podemos ver o nosso governo federal a enviar agentes que utilizam granadas de gás lacrimogéneo e matracas contra manifestantes pacíficos”, disse Obama, nas exéquias fúnebres, em Atlanta, de uma das figuras mais respeitadas nesse combate, John Lewis.

“Enquanto estamos aqui, os que estão no poder estão a fazer todos os possíveis para desencorajar as pessoas para irem votar”, acrescentou, lembrando o “encerramento das assembleias de voto”, “as leis restritivas que complicam a inscrição de minorias e de estudantes” e o “enfraquecimento dos serviços postais” que encaminharão os votos por correspondência.

O primeiro Presidente negro dos Estados Unidos pediu aos norte-americanos para participarem nas eleições de 03 de novembro, “as mais importantes pelas mais variadas razões”.

Trump, que espera ganhar um segundo mandato apresentando-se como garante de “lei e da ordem”, enviou para Portland, no noroeste dos Estados Unidos, uma centena de agentes federais que interpelaram dezenas de manifestantes antirracistas, acusados de “desordeiros”.

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“Tal como John [Lewis], é preciso que nos possamos bater ainda mais para defender a ferramenta mais potente que temos à nossa disposição: o direito de voto”, frisou Obama.

As declarações de Obama surgem poucas horas depois de Trump, republicano, ter publicado um ‘tweet’ provocador, que evocou a possibilidade de adiamento da votação presidencial em que deverá defrontar o candidato democrata Joe Biden.

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Trump alegou a existência de riscos de fraude ligadas à pandemia de covid-19.

“Com o voto por correspondência […] 2020 terá as eleições mais inexatas e fraudulentas da história”, escreveu Trump na rede social Twitter.

“Será uma verdadeira vergonha para os Estados Unidos. Adiar as eleições até que as pessoas possam votar normalmente, com toda a segurança?”, acrescentou.

A data de eleições federais — na terça-feira seguinte à primeira segunda-feira de novembro — é salvaguardada pela lei federal e exige uma lei do Congresso para que possa ser alterada.

A Constituição norte-americana, porém, é omissa quanto ao eventual adiamento da tomada de posse de um Presidente, normalmente realizada a 20 de janeiro, neste caso, de 2021.

Segundo reporta a agência noticiosa Associated Press (AP), não existe qualquer evidência de fraude no voto universal por correspondência, mesmo nos Estados em que o sistema funciona dessa forma.

Cinco Estados confiam exclusivamente no voto por correspondência e têm garantido que não é necessária qualquer salvaguarda para assegurar que um ator estrangeiro possa prejudicar a votação.

Segundo especialistas sobre a segurança de eleições, indicam especialistas, todas as formas de fraude são raras, incluindo a abstenção.

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