“Neste mandato, estão a avançar os estudos. Em termos práticos, entre fazer estudos, lançar empreitadas, o prazo do concurso, visto do Tribunal de Contas e início de obras, não é viável começar as obras neste mandato”, afirmou à agência Lusa o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado.

Em setembro do ano passado, a Câmara anulou o concurso da 2ª Circular e abriu um inquérito para averiguar eventuais conflitos de interesses, detetados pelo júri do procedimento, por parte de um projetista que também comercializa a mistura betuminosa que iria ser usada no piso.

A decisão levou à paragem da obra (iniciada dois meses antes) num troço mais pequeno da 2ª Circular, entre o nó do Regimento de Artilharia de Lisboa e a Avenida de Berlim, por a equipa ser a mesma.

“Foi constituído [um júri], com entidades externas ao próprio município, para fazer uma auditoria interna. Acho que essa auditoria vai, no fundo, confirmar aquilo que foi o relatório feito pelos serviços da câmara, de que efetivamente não havia possibilidades de prosseguir”, indicou o vereador.

Segundo Manuel Salgado, a autarquia está agora a “fazer uma reflexão sobre o projeto todo, como foi delineado, para o retomar”.

“Na discussão que foi feita na Assembleia Municipal, foram levantadas várias hipóteses […] e várias forças políticas entendiam que devíamos ter ido mais além, que devíamos ter introduzido o transporte público [metro à superfície] na 2ª Circular. É isso que estamos neste momento a discutir”, precisou.

Questionado sobre se a criação de metro à superfície poderá ser uma realidade naquela via rápida com cerca de 13 quilómetros, o vereador referiu que a solução “tem de ser estudada”.

“Nós temos de ter uma forte aposta no transporte público. Há outro aspeto que é relevante e que não estava em cima da mesa quando se fez o estudo para a 2ª Circular, que é o problema do aeroporto de Lisboa”, realçou Manuel Salgado, recordando que em breve o Governo deverá decidir sobre a criação de um terminal complementar no Montijo. Por isso, “há que se repensar as acessibilidades ao aeroporto e isso tem reflexos no próprio projeto da 2ª Circular”, acrescentou.

Além desta intervenção, vista pelo autarca como “absolutamente indispensável” e “urgente”, o município já avançou com arranjos “em vários sítios para melhorar o pavimento e diminuir as situações de risco”. “Foi também feita uma intervenção ao nível da iluminação e ainda vai prosseguir, e está em curso a instalação dos radares para controlo de velocidade na 2ª Circular”, especificou.

Prevista está ainda a reformulação do nó rodoviário entre o Campo Grande e a 2ª Circular, obra que “está para arrancar a muito curto prazo”.

“Vai melhorar bastante [a circulação], porque vai permitir a quem vem da 2ª Circular e vai para a Avenida Padre Cruz entrar diretamente sem interferir com o trânsito que passa ao nível do chão”, indicou Manuel Salgado.

Tendo o intuito de melhorar a fluidez do tráfego e conferir mais segurança à 2ª Circular, a maioria PS no município propôs-se a requalificar a via, o que passa por diminuir o tráfego de atravessamento, através da reformulação de alguns acessos e dos nós de acesso, e por reduzir a velocidade de 80 para 60 quilómetros/hora.

O município pretende também criar um separador central maior e arborizado.

Em declarações à Lusa, o vereador do PSD António Prôa defendeu que “é um alívio” a obra não avançar já, porque “seria mais uma” a acrescer às que estão em curso. Já o comunista Carlos Moura e o centrista João Gonçalves Pereira mostraram-se céticos quanto a uma futura concretização da empreitada.

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