De acordo com um comunicado do ACNUR, já 1.920 pessoas tentaram a travessia este ano, entre janeiro e novembro, contra 287 em todo o ano de 2021.

O ACNUR alerta que estas viagens “estão a expor as pessoas a sérios riscos e consequências fatais”, sublinhando que foi reportado que só este ano já 119 pessoas morreram ou desapareceram na travessia.

“A mais recente chegada foi registada há cerca de 15 dias, quando mais de 200 pessoas chegaram a Aceh Norte, na Indonésia, em dois barcos. O ACNUR saúda o esforço das autoridades para desembarcar e receber estes grupos em segurança”, lê-se num comunicado da agência da ONU.

O documento adianta que os refugiados desembarcados estão agora acolhidos num antigo centro de imigração em Lhokseumawe, estando o ACNUR, em conjunto com outros parceiros, a trabalhar com as autoridades locais para apoiar os refugiados, nomeadamente no registo, necessidades básicas e alojamento seguro e adequado.

Ao ACNUR chegaram também relatos ainda por comprovar de mais barcos à deriva no mar com passageiros a necessitar de resgate urgente.

“Com crescentes níveis de desespero e vulnerabilidade, forçando mais refugiados a arriscar a vida nestas travessias, o ACNUR e os parceiros humanitários continuam a sublinhar a necessidade para a maior cooperação regional e internacional para salvar vidas e partilhar responsabilidades”, afirmou a agência das Nações Unidas em comunicado.

A Indonésia, segundo a ONU, acolhe atualmente cerca de 13 mil refugiados e requerentes de asilo, maioritariamente vindos do Afeganistão, Somália e Myanmar (antiga Birmânia), “e não deve ficar isolada no resgate e desembarque de pessoas à deriva no mar”.

“É imperativo que os Estados na região cumpram o compromisso assumido em 2005 no âmbito do Processo de Bali para coletivamente encontrar soluções para aqueles que tentam estas viagens desesperadas”, defendeu o ACNUR.

Desde o início da crise no mar de Andamão e Baía de Bengala há sete anos, o Processo de Bali estabeleceu a “necessidade de uma resposta coletiva e confiável a este desafio regional”.

“Uma resposta vasta e justa necessariamente precisa de responsabilidade partilhada e esforços concretos no sudeste asiático, para que os que desembarcam refugiados e os colocam em segurança não carregam um fardo desproporcionado”, defendeu a ONU.

Responsáveis envolvidos no Processo de Bali — de combate ao tráfico humano no sudeste asiático – devem voltar a reunir-se na Indonésia na próxima semana para assinalar o 20.º aniversário desta convenção, antes da cimeira ministerial do próximo ano.

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