Bárbara Vara, filha do ex-ministro Armando Vara e também arguido no processo, está acusada de dois crimes de branqueamento de capitais em coautoria.

João Cluny considerou que a sua cliente "não está neste processo pelos factos que lhes são imputados porque são falsos e incapazes de preencher os crimes de que está acusada porque não os cometeu, estará certamente por outras razões", deixando no ar a ideia de que Barbara Vara é uma das arguidas da Operação Marquês por ser filha de quem é.

O advogado João Cluny começou por dizer que "não há no processo um único benefício que lhe seja imputado". Em 2005, foi o pai que lhe pediu para abrirem uma conta bancária e o dinheiro depositado pertencia a Armando Vara e era, exclusivamente, por este movimentado, relatou.

"Ela não tinha acesso aos extratos bancários e nem sequer recebia a correspondência. A conta era do pai e era ele que assinava todos os documentos", afirmou o advogado em contraponto com os argumentos da acusação que imputa à arguida dois crimes de branqueamento de capitais.

O advogado afirmou ainda que o próprio Armando Vara "assumiu sempre a titularidade dos montantes da conta", na fase de inquérito e depois na instrução perante o juiz Ivo Rosa.

"A nossa constituinte via o pai como um ídolo, tinha imensa admiração e uma confiança ilimitada e isso justifica ter aceitado abrir uma conta bancária a pedido dele. A partir dai não teve qualquer conhecimento nem intervenção", acrescentou o defensor.

João Cluny alega também que os documentos financeiros que constam dos autos "mostram de forma clara que Barbara Vara nunca movimentou a conta nem deu ordem de movimentos".

Ainda no sentido de rebater a tese do dolo nos dois crimes imputados a Bárbara Vara, o advogado alegou que Armando Vara tudo fez para que ela não soubesse das movimentações da referida conta, pelo que diz ser falso que a acusação considere que a arguida sempre teve conhecimento de tudo.

Bárbara Vara é um dos 28 arguidos do processo - 19 pessoas e nove empresas - que globalmente estão acusados de 188 crimes económico-financeiros na Operação Marquês.

Segundo o Ministério Público, o processo Operação Marquês deve ir a julgamento dado que "os factos investigados merecem ser levados a julgamento para um cabal esclarecimento, sob o risco de se criar uma rotura por parte do cidadão em relação ao próprio sistema de justiça".

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