Os alunos da madraça de Hathazari, no Bangladesh, foram obrigados a entregar os seus telemóveis à administração da escola, que os queimou numa fogueira perto do local, noticia a AFP.

A escola conservadora considera que os dispositivos móveis distraem os alunos, prejudicando a sua aprendizagem.

"Estes dispositivos destroem o seu caráter [dos alunos]", considerou Azizul Hoque, porta-voz da madraça Darul Ulum Moinul. "Os estudantes usam a Internet durante a noite e depois adormecem durante as aulas na manhã seguinte. Os seus pais estão preocupados", acrescentou.

"Os impactos negativos dos telemóveis ultrapassam os positivos", considerou Hoque, apesar de esclarecer que a escola não é contra a tecnologia.

A escola, com 123 anos de história e 14 mil alunos registados, é presidida por Ahmad Shafi, líder do movimento conservador islâmico Hefazat-e-Islam. O grupo tem evoluído no sentido de se tornar uma força política, tendo inclusivamente entrado em confronto com o governo secular do Bangladesh.

Em 2013,  centenas de milhares de apoiantes do movimento marcharam na capital, Daca, exigindo a implementação de leis religiosas, entre as quais a separação entre homens e mulheres no local de trabalho e a criminalização da blasfémia.

Os protestos resultaram em confrontos e quase 50 pessoas perderam a vida.

Recentemente, a escola chegou a acordo com o primeiro-ministro, Sheikh Hasina, que concordou em reconhecer as qualificações académicas da instituição, permitindo aos seus alunos candidatarem-se a cargos públicos.

O Bangladesh é um país maioritariamente muçulmano, mas oficialmente secular. Todavia, os responsáveis religiosos têm grande influência no país, sobretudo em zonas rurais.

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