Imerso na pior crise de sua campanha presidencial, após a divulgação de um vídeo de 2005 em que aparece a menosprezar as mulheres, o republicano Donald Trump foi obrigado a adotar uma atitude defensiva depois de ter sido 'bombardeado' com críticas de várias personalidades influentes. Tudo isto a muito pouco tempo do segundo debate com sua rival democrata, Hillary Clinton.

Trump começou o sábado com um pedido de desculpas, depois de o jornal The Washington Post ter divulgado um vídeo - que caiu como uma bomba -, que criou nas fileiras republicanas desconforto e deu a Hillary Clinton argumentos frescos para o debate de domingo em St. Louis.

O congressista Jaseon Chaffetz, de Utah, anunciou à emissora Fox que não apoiaria mais o candidato de seu partido.

"Não posso continuar apoiando conscientemente essa pessoa para a presidência", disse Chaffetz.

"Estou doente pelo que ouvi hoje", expressou num comunicado o chefe da bancada republicana no Congresso, Paul Ryan.

"As mulheres devem ser defendidas, e não tratadas como objetos. Espero que Trump encare esta situação com a seriedade que ela merece e trabalhe para demonstrar ao país que ele tem o maior respeito pelas mulheres", acrescentou.

Houve vários republicanos que inclusive pediram que Trump abandonasse a corrida presidencial, como os congressistas Barbara Comstock e Mike Coffman, e o ex-governador de Utah Jon Huntsman.

O senador eleito por Utah Mike Lee fez o mesmo: "Respeitosamente lhe peço, com todo o respeito, que se afaste".

Já o senador de Illinois Mark Kirk disse no Twitter que Trump deve "abandonar" a disputa eleitoral e que o Partido Republicano precisa "tomar medidas para uma substituição de emergência".

Mas neste sábado, Trump veio a público dizer que a possibilidade de ele abandonar a corrida pela Casa  Branca "é zero".

"As possibilidades de eu abandonar a corrida presidencial é de zero", afirmou ao jornal The Wall Street Journal. "Nunca, jamais, me dou por vencido", disse.

Mike Pence, companheiro de chapa de Donald Trump, disse neste sábado estar ofendido com as declarações do candidato.

"Não concordo com estas declarações e não posso defendê-las", disse Pence num comunicado, acrescentando que Trump terá a oportunidade de "mostrar o que está no seu coração" no domingo durante o segundo debate presidencial contra a democrata Hillary Clinton.

Também John McCain, figura proeminente do Partido Republicano, indicado pelo partido às eleições presidenciais de 2008, vencidas por Barack Obama, retirou formalmente seu apoio a Trump neste sábado.

O vídeo

Em 2005, Trump era um simples executivo e astro da televisão que acabava de se casar com sua terceira esposa, Melania Knauss.

No vídeo, o magnata conta ao apresentador de televisão a sua primeira tentativa frustrada de seduzir uma mulher, cujo nome não foi divulgado.

"Eu parti para cima dela e falhei. Admito", contou Trump. "Uau", diz uma outra voz. "Eu parti para cima dela como um cachorro, mas não a consegui comer. E ela era casada", continua.

A conversa continua até que os dois homens veem uma atriz que os espera do lado de fora do veículo, Arianne Zucker.

"Tenho que usar um Tic Tac, no caso de eu começar a beijá-la", afirma Trump. "Você sabe, eu sou automaticamente atraído pelas mulheres bonitas - eu simplesmente começo a beijá-las", completa.

As desculpas

"Eu disse, errei, e peço perdão", disse Trump numa mensagem que passou nas televisões.

"Qualquer um que me conheça sabe que essas palavras não refletem aquilo que eu sou. Eu disse, errei e desculpo-me", insistiu.

"Isso foi uma brincadeira de bastidores, uma conversa privada que aconteceu há muitos anos atrás", justificou-se.

"Nunca disse que eu era uma pessoa perfeita, nem pretendo ser outra pessoa que não eu mesmo", destacou o candidato republicano à presidência.

"Comprometo-me a ser um homem melhor amanhã, e a não decepcioná-los", disse Trump, que classificou este escândalo como uma "distração" eleitoral.

A esposa de Donald Trump classificou, neste sábado, os comentários do marido de "inaceitáveis e ofensivos", mas pediu que as desculpas do marido fossem aceites.

"As palavras usadas pelo meu marido são inaceitáveis e ofensivas para mim. Elas não representam o homem que eu conheço", afirmou Melania Trump em comunicado.

Ataques

Mas, imediatamente, o magnata lançou um ataque indireto à sua adversária democrata, Hillary Clinton, acusando seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, de maltratar as mulheres.

"Eu disse coisas idiotas, mas existe uma grande diferença entre as palavras e os atos de outras pessoas. Bill Clinton realmente maltratou as mulheres, e Hillary perseguiu, atacou, humilhou e intimidou as suas vítimas", disse.

"Falaremos disso nos próximos dias", advertiu Trump.

A publicação do vídeo chega oportunamente para a campanha democrata, que contratou um especialista para divulgar uma compilação de declarações antigas e recentes de Trump falando sobre as mulheres.

"Isso é terrível. Não podemos permitir que este homem seja presidente", declarou Hillary Clinton em sua conta no Twitter.

A quatro semanas das eleições e a menos 48 horas do segundo debate presidencial, Trump precisa ampliar sua popularidade entre os eleitores moderados, as minorias e as mulheres.

Nos últimos dias, o magnata tem sido alvo de duras críticas por ter maltratado a ex-Miss Universo venezuelana Alicia Machado, ao chamá-la de "gorda" anos atrás, assunto que Hillary ventilou no primeiro debate presidencial.

Os insultos contra a comediante Rosie O'Donnell, com comentários sobre seu cabelo, e dirigidas a colaboradoras da organização Trump e do programa "O Aprendiz" que denunciaram abordagens inapropriadas, somam-se à lista de comportamentos criticados do candidato.

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