Por: Louis GENOT da agência France-Press

O capitão do Exército na reserva quer reduzir de 29 para 15 o número de ministérios e não pretende estabelecer uma coligação com base numa troca de cargos.

"Temos a sinalização que Bolsonaro vai tentar reinventar o presidencialismo de coligação que temos no país. E esse será o seu maior desafio", explica Marcio Coimbra, coordenador da Pós-Graduação em Relações Governamentais da Universidade MacKenzie, em Brasília.

O governo incluiria quatro ou cinco generais, de acordo com Gustavo Bebianno, presidente do Partido Social Liberal (PSL) e possível ministro da Justiça.

Bolsonaro tenta apresentar "uma imagem de ordem, mas pode ter dificuldades na interlocução com o Congresso", sugere Geraldo Monteiro, investigador e coordenador do Centro Brasileiro de Estudos de Pesquisas sobre Democracia (Cebrad) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Os homens que seguem, de acordo com a agência France-Press, devem integrar o governo Bolsonaro.

Paulo Guedes, o guru económico

Paulo Guedes, 69 anos, defendeu a sua tese na Universidade de Chicago, berço do liberalismo económico moderno, e criticou recentemente "modelo social-democrata".

O Brasil emergiu de forma penosa de uma das piores recessões da sua história, depois de ver o seu PIB contrair em 3,5% em 2015, como em 2016, e tem quase 13 milhões de desempregados.

O economista revelou que o governo Bolsonaro vai focar-se até assumir funções, em janeiro, na reforma da previdência (pensões), uma medida impopular, mas considerada crucial pela comunidade empresarial para reduzir a dívida.

Guedes defendeu igualmente uma "aceleração do ritmo das privatizações" lançado sob o governo do atual Presidente, Michel Temer, que já havia lançado medidas de austeridade no final de 2016, mas não conseguiu a aprovação da reforma da previdência.

Onyx Lorenzoni, o regente da orquestra

Parlamentar há mais de 20 anos, primeiro na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (1995-2002) e depois na Câmara Federal, Lorenzoni, 64 anos, é considerado o cérebro da campanha de Bolsonaro. É filiado ao partido Democratas (DEM) e é conhecido pelas suas iniciativas de combate à corrupção.

"Tem uma grande experiência no Parlamento, sabe como funciona", assegura Marcio Coimbra, coordenador da Pós-Graduação em Relações Governamentais da Universidade MacKenzie.

Nos últimos anos, ficou conhecido por ter sido o relator de um projeto de lei anticorrupção.

General Heleno, o modelo

Augusto Heleno Ribeiro tem a admiração de Bolsonaro. O general foi seu instrutor na Academia Militar nos anos 1970 e deverá ser o seu ministro da Defesa.

Oficial na reserva, foi comandante da Missão da ONU no Haiti (Ministah) e até poderia ter sido vice-presidente de Bolsonaro, caso o Partido Republicano Progressista (PRP), do qual é filiado, não tivesse rejeitado a indicação.

Oswaldo Ferreira, um general "verde"... oliva

Ex-chefe do Departamento de Engenharia e Construção do Exército, o general Oswaldo Ferreira, 64 anos, é um dos nomes falados para assumir a pasta dos Transportes.

Em entrevista ao Estadão, citou com nostalgia a época em que construía estradas na Amazónia, durante a ditadura militar (1964-85). "No meu tempo, não tinha Ministério Público e Ibama para encher o saco", disse.

Foi o responsável por elaborar o programa de campanha das infraestruturas e do ambiente.

Marcos Pontes, o astronauta

Piloto de caças e astronauta, Marcos Pontes, 55 anos, foi o primeiro brasileiro a viajar ao espaço, em 2006, a bordo do foguete Soyuz, que o levou à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla original em inglês).

Considerado um herói nacional, o astronauta poderá ser o escolhido pelo governo de Bolsonaro para Ministro da Ciência e Tecnologia.

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