O alerta é do Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido, que reviu as diretrizes para a utilização de oxímetros em pacientes que precisam de monitorizar os níveis de oxigénio no sangue.

Segundo a nota publicada, "os oxímetros funcionam emitindo uma luz sobre a pele para medir os níveis de oxigénio no sangue. Tem havido relatos de que os oxímetros podem ser menos precisos em pessoas com pele mais escura, mostrando leituras mais altas de oxigénio no sangue".

Ainda assim, "pacientes com pele mais escura a quem tenha sido recomendada a utilização de um oxímetro devem continuar a usar o aparelho para monitorizar alterações nas leituras. Ao olhar para as alterações nas leituras e não apenas para uma leitura, mesmo que o oxímetro não seja preciso, é possível ver se os níveis de oxigénio no sangue estão a baixar", acrescenta.

Em caso de dúvida, os pacientes devem sempre consultar o seu médico. "Os oxímetros podem fornecer um importante sinal de alerta precoce caso os pacientes estejam a ficar pior, mas é importante não depender apenas deles", dizem ainda as autoridades de saúde britânicas, referindo-se, em particular, a pacientes diagnosticados com covid-19.

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A pandemia veio aumentar a procura por estes aparelhos, sobretudo depois de a Organização Mundial de Saúde ter recomendado aos pacientes que têm sintomas persistentes depois de recuperarem de um quadro de covid-19 que tenham acesso a um oxímetro.

A relação entre a covid-19 e estes aparelhos está numa condição que pode ser provocada pelo novo coronavírus e que se chama "hipóxia feliz” ou "hipóxia silenciosa". Se a hipóxia representa um saturação do nível de oxigénio no sangue, a "hipóxia feliz" ou "silenciosa" caracteriza-se pelo facto de a pessoa ter este baixo nível de oxigénio no sangue e não o perceber, explicou Sandra Queiroz, enfermeira especialista em médico-cirúrgicas e professora-coordenadora na Escola Superior de Enfermagem de São Francisco das Misericórdias ao SAPO24.

Em casos de covid-19, “muitas pessoas que estão afetadas e assintomáticas têm alterações nas suas trocas gasosas ao nível dos alvéolos [pulmonares]” e, não sentido falta de ar, não conseguem perceber a “diminuição da saturação de oxigénio”, o que levado ao limite poderá colocar a sua vida em causa, explicou a professora-coordenadora.

A utilização deste aparelho, todavia, não dispensa a avaliação de um médico — e é sempre preciso ter em conta o historial clínico de cada pessoa para não fazer leituras erradas.

Se porventura já tem um oxímetro em casa, é necessário referir que não basta uma única medição rápida para avaliar corretamente a sua condição.

Apesar de a leitura que o aparelho apresenta no monitor ser praticamente imediata, é obrigatório aguardar uns minutos aferir valores mais corretos. E, à partida, não bastará uma só medição, sendo aconselhável fazer-se pelo menos duas vezes por dia — "de manhã e à noite se a pessoa quiser fazer uma monitorização da sua oxigenação" —, aconselhou Sandra Queiroz.

E não é só a cor da pele a interferir com as leituras: o frio pode dificultar uma correta medição do nível de oxigénio no sangue, porque nestas situações a circulação sanguínea nas extremidades dá-se de uma forma muito lenta.

Além disso, convém ainda estar-se o mais calmo possível no momento da medição, já que a ansiedade ou só o simples de facto de se estar a reter a respiração pode causar uma alteração na medição dos valores reais de oxigénio no sangue.

Logo, não é por um resultado parecer preocupante que a pessoa estará obrigatoriamente em estado grave. Assim, em casos em que a medição indique falta de oxigénio no sangue, com valores abaixo dos 95%, deverá sempre contactar o SNS24 ou, em casos mais urgentes, o 112.

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