Esta é a primeira visita do papa a esta nação andina, com 17 milhões de habitantes, desde que assumiu o papado, em 2013. Acontece numa altura em que muitos chilenos estão furiosos com a decisão de Francisco, tomada em 2015, de nomear um bispo próximo do reverendo Fernando Karadima, que o Vaticano considerou culpado, em 2011, de abusar sexualmente de dezenas de menores ao longo de décadas.

Juan Barros, bispo da cidade de Osorno, no sul do país, sempre negou que soubesse o que Karadima fazia, quando era o protegido deste, o que os chilenos não acreditam.

“Já passou o tempo de o papa pedir perdão pelos abusos. É preciso ação”, afirmou Juan Carlos Cruz, uma vítima de Karadima.

Cruz acrescentou que, se não fosse possível prender os bispos maus, “pelo menos, que sejam removidos das suas posições”.

Depois de aterrar, Francisco foi recebido pela Presidente Michelle Bachelet.

Durante os próximos três dias, Francisco tem previsto celebrar missas em Santiago e nas cidades de Temuco, no sul, e Iquique, no norte. Na quinta-feira, o papa parte para o Peru, para uma visita de três dias.

Com esta viagem, Francisco quer evidenciar a situação dos imigrantes e dos povos indígenas e realçar a necessidade de preservar a floresta da Amazónia. Porém, os abusos sexuais pelos padres assumiram as posições de destaque mediático nas semanas anteriores à chegada do papa.

Horas antes do avião papal aterrar, ativistas em questões relacionadas com abusos sexuais pelos padres reclamaram sanções contra os abusadores e os que os encobriram ao longo dos anos.

Cerca de 200 pessoas participaram na primeira de várias atividades com que se pretende fazer do escândalo dos abusos sexuais um tópico central da visita do papa ao país.

A maioria dos chilenos continua a declarar-se católicos romanos, mas a igreja perdeu a influência e a autoridade moral que tinha, devidos aos escândalos, à secularização e a uma casta clerical isolada.

Francisco vai procurar injetar energia na igreja durante a sua visita, que começa ao início de terça-feira com várias visitas protocolares.

Na agenda também estão encontros com migrantes, membros do grupo indígena chileno Mapuche e vítimas da ditadura militar, que existiu entre 1973-1990. Está por determinar se se vai reunir com os sobreviventes dos abusos sexuais. Tal encontro não está na agenda, mas este género de reuniões nunca está.

A igreja do Chile ganhou um grande respeito durante o regime do general Augusto Pinochet, porque denunciou os abusos dos direitos humanos pelos militares, mas entrou em queda livre em 2010, quando vítimas de um padre carismático e politicamente bem relacionado denunciaram várias situações de assédio e ataque sexual.

Os dirigentes locais da igreja ignoraram as queixas contra Karadima durante anos, mas foram obrigados a abrir uma investigação depois de as vítimas o terem denunciado publicamente e os procuradores chilenos terem começado as suas próprias investigações.

Em 2011, o Vaticano condenou-o a uma pena perpétua de “penitência e oração” pelos seus crimes, mas a liderança da igreja nunca recuperou a confiança dos chilenos, depois e ter encoberto os crimes de Karadima durante tanto tempo.

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