Quase dois meses volvidos sobre o início da invasão russa da Ucrânia – iniciada a 24 de fevereiro – o chefe de Estado ucraniano discursa na quinta-feira na Assembleia da República, depois de já se ter dirigido aos deputados de vários países tais como o Japão, os Estados Unidos, o Reino Unido, a França ou a Austrália.

Paula Santos, líder parlamentar do PCP, anunciou esta tarde que o partido não vai marcar presença numa sessão "concebida para dar palco à instigação da escalada da guerra, contrária à construção do caminho para a paz, com a participação de alguém como Volodymyr Zelensky, que personifica o poder xenófobo e belicista, rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e neonazi, incluindo de caráter paramilitar, de que o chamado Batalhão Azov é exemplo".

Para o partido, a intervenção de Zelensky "não é um contributo à paz, há sempre um apelo à intervenção e participação da NATO na guerra, há sempre uma lógica do confronto para continuar uma sessão de guerra e não para encontrar uma solução pacífica para a paz".

A deputada acrescentou que a sessão solene, que vai decorrer na quinta-feira, com início previsto para as 17:00, é um “ato de instrumentalização de um órgão de soberania, orientado não para contribuir para um caminho de diálogo que promova o cessar-fogo”.

"Consideramos que o caminho não pode ser a continuação da guerra, o caminho tem de ser a paz", frisou Paula Santos, que criticou a corrida aos armamentos e a aplicação de sanções. "Aquele que deve ser o caminho é encontrar um compromisso entre ambos os interesses, que permita o diálogo".

Na opinião de Paula Santos, a presença do Presidente ucraniano no parlamento português, ainda que por videoconferência, apenas vai “animar a escalada da guerra e da confrontação” político-económica e militar, que “comporta riscos imensos para o mundo”.

Zelensky simboliza um poder que “há oito anos ataca e massacra a própria população ucraniana na região do Donbass e elimina quem se lhe opõe”, e que promove a “perseguição política”, nomeadamente através da “ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia”, argumentou a líder da bancada comunista .

“Um poder que ao mesmo tempo enaltece os colaboracionistas das SS nazis na II Guerra Mundial e branqueia as suas atrocidades cometidas contra as populações da Ucrânia e da Polónia”, acusou.

Paula Santos disse que o PCP “não tem nada a ver” com o Governo russo e o seu Presidente, Vladimir Putin: “A opção de classe do PCP é oposta à das forças políticas que governam a Rússia capitalista e dos seus grupos económicos”.

Questionada sobre que soluções aponta o PCP para a resolução do conflito, a dirigente comunista disse que “está claro” que as sanções económico-financeiras implementadas pela comunidade internacional contra a Rússia “não são solução nem para o conflito, nem é solução para os povos da Europa”.

Face à insistência dos jornalistas, Paula Santos respondeu apenas que é “necessário que haja uma solução que permita encontrar um compromisso, que tenha em conta os diferentes interesses e que permita o diálogo”.

Em 24 de fevereiro de 2022, dia em que a Rússia iniciou a invasão da Ucrânia, a classe política portuguesa, com exceção do PCP, condenou unanimemente e “de forma veemente” a “ação militar russa” que, segundo Marcelo Rebelo de Sousa, constituiu uma “violação ostensiva e flagrante do direito internacional”.

Esta quinta-feira, naquela que será a primeira vez que um chefe de Estado estrangeiro discursa na Assembleia da República por videoconferência, a intervenção de Zelensky constituirá também um marco nas relações bilaterais entre Portugal e a Ucrânia, cujos contactos ao mais alto nível têm sido escassos desde a dissolução da União Soviética e subsequente independência ucraniana, em 1991.

Nos 31 anos que decorreram desde então, nunca nenhum Presidente da República português fez uma visita de Estado à Ucrânia. Em sentido contrário, a última visita de um chefe de Estado ucraniano a Portugal foi em dezembro de 2017, com a deslocação de um dia de Petro Poroshenko a Lisboa, onde se encontrou com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro, António Costa, e o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

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