Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, discursou imediatamente antes do secretário-geral do PS, António Costa, em Aveiro, naquele que foi até agora o maior comício dos socialistas.

Na sua intervenção, com cerca de 16 minutos, Pedro Nuno Santos, que é cabeça de lista por Aveiro – e apontado como potencial sucessor de António Costa na liderança do PS -, levantou por várias vezes a plateia explorando uma lógica dualista entre os defensores do “individualismo e do salve-se quem puder” e os socialistas, corrente que caracterizou como defensora do sentido de comunidade e do conceito de liberdade efetiva.

Pedro Nuno Santos atirou ao PSD, à Iniciativa Liberal e ao CDS-PP, sem, ao longo da sua intervenção, fazer referência aos partidos à esquerda do PS, nem às circunstâncias do chumbo do Orçamento para 2022.

O discurso foi ideológico do princípio até ao fim e baseado na tese de um mundo bipolar entre capitalistas e socialistas.

O antigo líder da JS começou por criticar a proposta de sistema misto de Segurança Social admitido pelo presidente do PSD, Rui Rio, sustentando a tese de que essa mudança colocaria parte das contribuições para capitalização na bolsa e, além disso, provocaria “um rombo” nas contas públicas, porque obrigaria o Orçamento do Estado a fazer transferências nas primeiras décadas de transição entre sistemas.

A seguir, criticou a proposta de cheque ensino do CDS, dizendo que provocaria imediatamente um aumento dos preços praticados pelos melhores colégios, que “continuariam reservados aos mais ricos”.

“Teríamos colégios privados assim-assim para a classe média e continuaríamos a ter os melhores só para os mais ricos, com a diferença que o Estado teria menos dinheiro para a escola pública e passaria a financiar o negócio privado da educação”, disse.

A seguir, visou a Iniciativa Liberal, que disse pretender convencer “alguns jovens qualificados a defenderem o desmantelamento do Estado” e que advoga uma taxa única de IRS — uma reforma fiscal “que aumentaria a desigualdade”, advogou Pedro Nuno.

“Camaradas, o que atravessa todas estas propostas da direita portuguesa é uma visão profundamente individualista da sociedade, a ideia que as pessoas apenas se interessam pelas suas vidas, a ideia de uma sociedade cada um por si sem querer saber o que acontece aos outros. Por isso, a direita dá tanta centralidade ao mercado e nunca fala em desigualdade porque acredita numa sociedade de vencedores e de vencidos”, apontou.

Em contraponto, o PS, de acordo com a lógica de Pedro Nuno Santos, “é a casa comum que acredita que todos os cidadãos fazem parte de uma comunidade – uma comunidade que nos confere direitos e deveres”.

“Quando a direita incute os valores da competição devemos proteger os valores da cooperação.  A verdade é que os socialistas levam a liberdade mais a sério, são mais exigentes na sua concretização. Para nós, a liberdade que conta é a liberdade efetiva e igual para todos e não só para alguns”, declarou, levantando uma vez mais a plateia.

Mas Pedro Nuno Santos ainda foi mais longe: “liberdade é podermos ter uma formação de qualidade, sejamos nós filhos de patrão ou de um trabalhador. E essa liberdade só a escola pública nos pode dar”.

Na parte final, o “numero um” por Aveiro do PS atacou o conceito de meritocracia inerente às correntes liberais, partindo do exemplo das operárias que cosem sapatos nas fábricas de São da Madeira ou de Santa Maria da Feira.

“Aquelas mulheres que cosem as gáspeas, sempre a olhar para agulha e para a linha, não têm mérito? Os técnicos da manutenção da CP, que mantêm comboios com 50 anos em circulação, não têm mérito?  As técnicas sociais dos lares e das creches não têm mérito? Só seremos um país desenvolvido se respeitarmos todos os que trabalham. A nossa casa comum é o Estado social”, concluiu.

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