António Costa referiu que “não é o Governo que constrói a estatística”, indicando que são as “autoridades técnicas” a fornecer os números.

O primeiro-ministro falava aos jornalistas no final da inauguração do novo centro de contacto do Serviço Nacional de Saúde, tendo sido questionado sobre notícias dos últimos dias que dão conta de mais vítimas mortais do incêndio de Pedrógão Grande, Leiria, além das 64 assumidas oficialmente.

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“Se alguém tem conhecimento de um maior número de vítimas deve, obviamente, comunicar imediatamente esse facto à Polícia Judiciária e ao Ministério Público”, afirmou.

António Costa acrescentou que a informação de que dispõe é que todas as aldeias foram vistas, casa a casa, pelas autoridades.

“A dimensão desta estratégia não era menor se tivesse sido metade o número de pessoas que faleceram”, disse.

De acordo com o primeiro-ministro, também a lista dos potenciais desaparecidos na altura do incêndio foi “exaustivamente verificada”.

Questionado pelos jornalistas sobre os critérios que contabilizam mortes diretas ou indiretas no caso de Pedrogão Grande, António Costa disse que cabe às autoridades, nomeadamente ao Instituto de Medicina Legal, definir esses critérios.

MAI nega existência de "lista secreta" de vítimas

A ministra da Administração Interna garantiu hoje que “não existe uma lista secreta” das vítimas mortais do incêndio de Pedrógão Grande, sublinhando que os nomes constam de um processo judicial que está em segredo de justiça.

"Não existe nenhuma lista secreta. Todas as pessoas foram identificadas pelo Instituto de Medicina Legal” como tendo morrido “na consequência direta desse incêndio", disse aos jornalistas Constança Urbano de Sousa.

A ministra adiantou que a lista das vítimas do incêndio que deflagrou a 17 de junho em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, “consta de um processo judicial”, que o Ministério Público (MP) classificou como segredo de justiça.

Constança Urbano de Sousa garantiu também que há registo de 64 vítimas mortais, sendo este o número que consta de “uma lista que está com o MP e que foi devidamente certificada não só pela Polícia Judiciária, mas também pelo Instituto Nacional de Medicina Legal (INML).

“Não é o Governo que tem a lista, é o MP, que é independente do Governo”, afirmou.

Questionada sobre critérios da constituição da lista de vítimas mortais, a ministra sublinhou que são de natureza “muito objetiva” e são definidos “naturalmente” pelas entidades competentes, designadamente o MP e a PJ.

A ministra reafirmou que os critérios definidos pelas autoridades para apurar as mortes decorrentes do incêndio estão ligados à inalação de fumo e a queimaduras.

As vítimas mortais são aquelas que sofreram “uma qualquer lesão em consequência direta” do fogo, acrescentou.

“Neste momento, o MP tem todas essas vítimas referenciadas num processo que abriu, e, desde a primeira hora, esteve no terreno. Durante aquele período e o seguinte houve equipas multidisciplinares que tiveram por todas as aldeias, foi batido todo o terreno, nomeadamente por militares, e não houve notícia de [mais] mortos relacionados” com o incêndio.

O incêndio, que deflagrou a 17 de junho em Pedrogão Grande, provocou, pelo menos, 64 mortos e mais de 200 feridos, tendo consumido cerca de 50 mil hectares e durado uma semana.

Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, segundo as autoridades pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236.1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

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