Na localidade da Foz do Alge, Manuel Batista Antunes, 59 anos, e Jorge Silva, 40, foram os primeiros a chegar ao local de um reacendimento. E foram eles que foram avisar uma equipa de bombeiros da Benedita e Bombarral que descansavam uns metros acima, na encosta.

"Ao menos para salvar as casas", que é o "mais importante", explica Manuel Batista Antunes, motorista de profissão, que há três dias não trabalha. "Há coisas mais importantes", diz.

"Temos de estar sempre alerta e alguma fagulha ir para as casas e se uma pessoa perde uma casa perde uma vida", explica o morador na Foz do Alge.

"Se nos vai embora a casa, ficamos sem nada", desabafa Manuel Antunes, que tem a mulher com dificuldades em mover-se e, por isso, não tenciona voltar ao trabalho até que o perigo passe.

"Eu tenho de lá estar" e "vigilante", diz. Por isso, "andei a passear aqui para ver se o fogo estava perto das casas".

Jorge Silva foi quem hoje viu o fogo a renascer perto da Foz do Alge. "Eu vinha a passar, dei-me com estes reacendimentos" e fui chamar os bombeiros simplesmente", diz o morador, que usa o seu pequeno carro todo-o-terreno para monitorizar as encostas.

"Muita gente da terra está sem trabalhar por causa disto" para "ajudar quem pode", até porque "no meio do caos não há organização possível", explica Jorge Silva, que se mostra preocupado com o futuro do concelho de Figueiró dos Vinhos.

"Já está quase toda a gente sem nada. Do concelho de Figueiró dos Vinhos já só há este cantinho verde. É a única coisa que falta" arder.

Perto da Foz do Alge, os bombeiros rapidamente extinguiram o fogo, mas este foi um exemplo dos muitos que acontecem por estes dias naqueles concelhos.

Em muitas estradas são visíveis carros com civis a vigiar as matas, num esforço pouco organizado, mas útil, porque ajuda os bombeiros a cobrir a vigilância de mais mata.

Se os moradores estão empenhados, esse sentimento estende-se a quem é filho da terra e vive longe, como é o caso de Paulo David, que veio de Lisboa para ajudar os bombeiros de Castanheira de Pera.

Antigo bombeiros, Paulo David recorda as últimas 72 horas: "Foi um verdadeiro inferno em termo de mar de chamas".

Agora, com o jipe, equipado com antenas de comunicações rádio, "tento ajudar os meus colegas", desde transportando pessoas ou ajudando na logística.

"Desde levar águas, colocar meios que nos pedem para certas zonas da serra e aldeias" até "detetar novos focos de incêndio", exemplifica Paulo David, que diz que os meios da proteção civil nunca serão suficientes para lidar com o incêndio que devastou a região, causando mais de seis dezenas de mortos.

"O que aconteceu foi uma coisa fora do normal", disse.

Em declarações à Lusa, José Dias, comandante dos bombeiros de Castanheira de Pera, agradece o esforço e só lamenta que esta atenção não se repita noutros períodos do ano.

Por estes dias, "é natural que haja mais preocupação das pessoas porque está mais perto das habitações", afirmou.

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