Encostado à parede junto à porta do posto de correios que agora recebe também os serviços da junta de freguesia local, José Henriques, de 56 anos, diz que lhe arderam as oliveiras e também dois terrenos com pinheiros e eucaliptos, naquele fatídico fogo que começou dia 17 em Pedrógão Grande e que provocou a morte a 64 pessoas, além de mais de 200 feridos.

Este residente em Valongo, nas imediações da sede do concelho, espera pacientemente pela sua vez de atendimento para preencher a ficha na qual são declarados os prejuízos em explorações agrícolas.

"Estou à procura de informação para ver se tenho direito a alguma coisa", diz.

Com um ar calmo e sereno, desabafa que no ano passado foram os porcos (javalis) que lhe destruíram totalmente a plantação de milho: "Foram aos sítios onde o milho estava mais verde".

"Este ano, foi o lume [incêndio]. Tenho que ir vivendo. Uma pessoa não pode desistir", afirma.

Já Adelino David, de 71 anos, perdeu 80 oliveiras, 550 videiras, um pomar com 26 árvores, máquinas e alfaias agrícolas, dois barracões e uma arrecadação.

"Venho ver se consigo uma ajuda para arranjar tudo", explica.

Residente em Casalinho, o septuagenário recorda que há 30 anos ardeu tudo e adianta que, na altura, "dinheiro, nunca deram nada. Vamos ver se há ajuda", diz, com um sorriso nos lábios.

Os técnicos do Ministério da Agricultura estão desde segunda-feira em Pedrógão Grande para colaborarem no preenchimento das fichas de levantamento dos prejuízos causados pelo incêndio em explorações agrícolas e pecuárias do concelho.

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