De acordo com Ariyananda Welianga, membro da equipa forense a trabalhar no caso, à agência Associated Press (AP), uma perícia a restos mortais deixados no local provou que os atentados foram perpetrados por sete bombistas suicidas.

Welianga confirmou ainda que todos os ataques foram levados a cabo individualmente, com exceção para o hotel Shangri-La, em Colombo, levado a cabo por dois bombistas. Os restantes bombistas atacaram em também na capital o Santuário de Santo António, os hotéis Cinnamon Grand e Kingsbury, bem como a Igreja de São Sebastião e a Igreja de Sião nas cidades de Negombo e Batticaloa, respetivamente.

Entretanto, começaram a surgir relatos de uma nova explosão, a nona, que terá ocorrido numa carrinha de novo junto ao Santuário de Santo António. Segundo disse uma testemunha à agência Reuters, "a carrinha explodiu quando a unidade de desarmamento de bombas das forças especiais e da força áerea estavam a tentar desarmá-la", mas Michael Safi, correspondente do jornal The Guardian, informa de que se tratou de uma detonação controlada.

O diário espanhol El País partilhou no Twitter uma captação em direto do momento da explosão.

Rajitha Senaratne, ministro da Saúde e porta-voz do executivo, sugeriu que os homens, todos de nacionalidade cingalesa, estarão ligados ao grupo local National Thowfeek Jamaath, de cariz islâmico militante, mas ainda não foi confirmada esta ligação, nem esta organização reinvindicou os ataques.

Senaratne informou ainda que várias agências de inteligência e serviços secretos de vários país já tinham alertado para a possibilidade de ataques, com os primeiros avisos a surgir a 4 de abril. Segundo a AP, o porta-voz revelou que o ministro da Defesa, Ruwan Wijewardena, já tinha comunicado ao chefe da polícia o nome do grupo a 9 de abril e que, dois dias depois, este falou a vários responsáveis de segurança nos departamentos judicial e diplomático.

No entanto, não se sabe se esta troca de informações chegou a resultar em qualquer tipo de tentativa de debelar o ataques, já que as autoridades admitem que pouco se sabe acerca do National Thowfeek Jamaath, exceptuando a ligação a alguns ataques a estátuas budistas.

Senaratne acredita, porém, que o ataque não foi da responsabilidade exclusiva de cidadãos nacionais.  “Não acreditamos que estes ataques tenham sido levados a cabo por um grupo de pessoas confinadas a este país”, disse o ministro da Saúde, citado pela Reuters, acrescentando que “houve uma rede internacional sem a qual estes ataques não teriam ocorrido”.

24 pessoas foram detidas na sequência dos ataques. "Até agora os nomes são nacionais", mas os investigadores estão à procura de eventuais "ligações com o estrangeiro", declarou o chefe do Governo na televisão, sem dar mais detalhes.

A polícia também informou esta segunda-feira que uma bomba artesanal foi descoberta e desativada no domingo, perto do principal aeroporto de Colombo.

A sétima detonação, que provocou duas mortes, registou-se horas mais tarde num pequeno hotel situado a cerca de 100 metros do jardim zoológico de Dehiwala, um subúrbio a uma dezena de quilómetros do centro de Colombo.

Já a oitava explosão teve lugar num complexo de vivendas na zona de Dermatagoda, também na capital, sem que as autoridades tenham revelado mais detalhes para já.

O número de mortes foi atualizado esta manhã para 290, segundo um novo balanço divulgado pelas autoridades. O número de feridos aumentou para 500.

As primeiras seis explosões ocorreram "quase em simultâneo", pelas 08:45 (03:15 em Portugal) de domingo, dia 21 de abril, de acordo com fontes policiais citadas por agências internacionais.

Para já, ninguém reivindicou a autoria dos ataques coordenados, sendo que as autoridades estão empenhadas em prestar atenção especial à eventual difusão de notícias falsas que possam gerar confusão ou atos de represália contra algum grupo étnico ou religioso.

Os Tigres Tâmiles, grupo de rebeldes que combateu numa guerra civil contra o governo e que costumava usar bombistas suicidas, foi derrotado em 2009 e não tem um histórico de ataques a cristãos. Por outro lado, a ilha também não tem um historial de militantes islâmicos, apesar da comunidade muçulmana ser alvo de intolerância por parte dos setores budistas do país.

Desta forma, o Governo do Sri Lanka decretou um bloqueio temporário às redes sociais para impedir a difusão “de informações incorretas” relacionadas com a vaga de explosões que aconteceram na ilha.

No entanto, como resultado da potencial ligação a um grupo terrorista, os EUA alertaram para a possibilidade de "grupos terroristas" continuarem a preparar ataques no Sri Lanka

"Grupos terroristas continuam a planear possíveis ataques no Sri Lanka. Os terroristas poderiam atacar com pouco ou nenhum aviso (…) áreas públicas", alertou o Departamento de Estado norte-americano através da sua embaixada dos Estados Unidos no Sri Lanka.

O Governo dos Estados Unidos indicou como potenciais alvos destes ataques áreas turísticas, centros de transporte, mercados, centros comerciais, instalações governamentais, hotéis, clubes, restaurantes, locais de culto, parques, grandes eventos desportivos e culturais, instituições educacionais e aeroportos.

O ministro do Turismo do Sri Lanka, John Amaratunga, anunciou igualmente esta segunda-feira, dia 22,  que existem 39 turistas de várias nacionalidades entre as vítimas mortais.

Amaratunga afirmou que o seu ministério está a trabalhar de perto com o Ministério dos Negócios Estrangeiros cingalês e missões diplomáticas locais para "garantir que as formalidades relativas às vítimas sejam resolvidas o mais rápido possível".

"O Governo já ofereceu assistência a todas as vítimas, aos lugares de culto danificados e aos hotéis afetados pelos ataques de domingo", referiu ainda o ministro.

Amaratunga sublinhou que o setor do turismo do Sri Lanka e o Governo estão a fazer todo o possível para garantir a segurança dos que estão ainda no país.

Dinamarqueses, australianos, americanos, chineses, japoneses, britânicos, turcos e indianos, além de um português, estão entre os estrangeiros mortos nos ataques de domingo em Sri Lanka, de acordo com informações fornecidas pelos respetivos Governos.

Entre as vítimas está “um jovem português"

A cônsul de Portugal em Colombo, Preenie Pine, disse no domingo à Lusa que existe um português entre as vítimas mortais.

Em declarações à Lusa via telefone, a cônsul avançou que entre as vítimas está “um jovem português, com idade que ronda os 30 anos”, que se encontrava num dos hotéis atingidos por uma das seis explosões que ocorreram esta manhã no Sri Lanka.

De acordo com a cônsul há mais portugueses no país, mas “estão todos bem”, acrescentando que está a dar apoio à mulher da vítima. “É um dia muito triste, estamos chocados”, adiantou.

Em declarações à Lusa ao telefone, José Luis Carneiro, disse já ter falado com a esposa do português que faleceu no Sri Lanka, a quem transmitiu uma mensagem de condolências e deixou os contactos para prestar “o apoio devido e indispensável nesta altura”.

“Tivemos conhecimento [da existência destes portugueses] porque foi a sua família que contactou o gabinete de emergência consular”, disse José Luis Carneiro, adiantando que o gabinete teve ainda o contato de outros familiares dando conta de que tinha também lá uma família de quatro elementos, mas “felizmente esses encontram-se bem”.

De acordo com o secretário de Estado das Comunidades, existem 10 portugueses com residência inscrita na embaixada de Portugal em Nova Deli, e até agora os únicos contactos que o gabinete de emergência teve foi das duas famílias cujos familiares estavam em turismo na ilha.

“Para já não temos quaisquer informações que suscitem preocupação. O que ocorre nestes casos é o contato das famílias com o gabinete de emergência consular. Estamos a fazer uma despistagem para procurar contatar as famílias que estão inscritas no serviço consular de Nova Deli”, disse.

José Luis Carneiro frisou ainda que, “para já, não há indícios de outros portugueses vítimas destes acontecimentos tão horríveis e lamentáveis”.

De acordo com a AFP, entre as restantes vítimas mortais encontram-se cidadãos britânicos, holandeses e norte-americanos.

Presidente apela à calma no país, recolher obrigatório decretado 

Após as oito explosões, o Governo decretou o Estado de Emergência e a polícia impôs o recolher obrigatório com efeito imediato perante o perigo de novos ataques.

“Por favor, permaneçam calmos e não sejais enganados por rumores”, pediu o presidente Maithripala Sirisena numa mensagem à nação, num país onde os confrontos têm sido frequentes no passado em reação a eventos violentos.

O presidente mostrava-se “em choque” e triste com o sucedido, esclarecendo que “investigações estão em andamento para descobrir que tipo de conspiração está por detrás destes atos cruéis”.

"Por favor, permaneçam calmos e dentro de vossas casas. Há muitas vítimas, incluindo estrangeiros", escreveu também, no Twitter, o ministro para as Reformas Económicas e Distribuição Pública do país, Harsha de Silva.

Também o primeiro ministro do país, Ranil Wickremesinghe, liderou uma reunião de emergência com altos cargos das forças de segurança e outros membros do Governo, entre eles o ministro para as Reformas Económicas e a Distribuição Pública, Harsha de Silva, que deu detalhes do encontro na rede social Twitter.

O Ministério da Educação anunciou o encerramento de todas as escolas do país na segunda e terça-feira.

Imagens difundidas pelos meios de comunicação locais mostram a magnitude da explosão pelo menos em uma das igrejas, com o teto do templo semidestruído, escombros e corpos espalhados enquanto muitas pessoas os tentam socorrer.

Os fiéis católicos celebraram ontem, dia 21, o Domingo de Ressurreição, o dia mais importante entre os rituais da Semana Santa.

A comunidade internacional reagiu com comoção perante a tragédia, com as autoridades dos países vizinhos, como a India, Paquistão e Indonésia, e também da União Europeia, Alemanha, Bélgica, Holanda, Portugal, Espanha e Turquia, assim como as igrejas cristãs na Terra Santa.

*Com Agências

[Última atualização às 13:50, em 22 de abril.]

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