Entre os condenados está um casal, ambos octogenários, que ficaram com penas de prisão suspensas, ele a três anos e quatro meses e ela a três anos.

O filho do casal, que terá vendido porta a porta o queijo infetado, foi condenado a uma pena de três anos e dois meses, também suspensa na sua execução.

Um quarto arguido, proprietário de um restaurante que terá vendido queijo infetado, foi condenado pelo mesmo crime, mas apenas por negligência, resultando numa pena de 18 meses de prisão, igualmente suspensa.

Na decisão final do julgamento hoje comunicada aos arguidos, o tribunal considerou provado para ambos os membros do casal a prática do crime de corrupção de substâncias alimentares.

O homem praticou também o crime de desobediência, por ter vendido animais e queijos, após ter sido notificado pelas autoridades sanitárias da infeção que havia na sua exploração.

O caso julgado remonta ao período compreendido entre os meses de agosto e novembro de 2014, quando, na cozinha da residência de um dos arguidos, foram produzidos artesanalmente, com a incorporação de leite cru proveniente de bovinos e caprinos infetados com brucelose, múltiplos queijos que depois eram acondicionados em recipientes de plástico que antes serviram para gelados.

Resultou provado que os queijos eram confecionados sem controlo sanitário, licença ou salubridade e acabaram por ser ingeridos por diversas pessoas, que os adquiriram.

Os queijos provocaram 19 casos de brucelose na região de Baião, no interior do distrito do Porto.

O crime de corrupção de substâncias alimentares foi cometido, com dolo, em coautoria pelos três arguidos, de acordo com a decisão do tribunal.

Os três arguidos ficaram ainda obrigados ao pagamento de uma indemnização de cerca de seis mil euros à Segurança Social por despesas provocadas pelo tratamento de duas vítimas da infeção com os queijos contaminados, para além das custas judiciais.

Outros dois arguidos, incluindo uma filha do casal, foram absolvidos por não ter sido provado em audiência o envolvimento neste caso.

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