Na apresentação da sua candidatura à liderança, em Lisboa, o vice-presidente da Câmara de Cascais disse ter a ambição de vencer as eleições diretas de 11 de janeiro para “ganhar as próximas autárquicas e, naturalmente, reconquistar a confiança dos portugueses para liderar o governo” do país.

Sem nunca mencionar o nome do atual presidente do partido, Rui Rio, Pinto Luz lamentou que haja “quem só gosta de uma parte do PSD”.

“Eu não sei o que é gostar a 50%, ou a 70% ou a 80%. Ou se gosta do PSD ou não se gosta do PSD! E quando se gosta do PSD, não se diminui o partido, concelhia a concelhia, distrital a distrital, apenas para se ter o partido que se quer. Quem não gosta deste PSD, dê lugar a quem goste e queira lutar por Portugal”, apelou.

O antigo líder da distrital de Lisboa confessou estar preocupado com o estado atual do PSD, garantindo estar “entre aqueles que não se resignam perante um PSD destituído de ambição, um PSD que apenas disputa lugares intermédios da primeira liga da política”.

O candidato admitiu que a sua preocupação aumentou depois das legislativas de 06 de outubro: “Desde as legislativas de 2002, o PSD tem ficado abaixo dos 40%. Em 17 anos, baixámos mais de 12 pontos percentuais. No mês passado, nem 28% obtivemos”, lamentou, considerando que essa perda de influência eleitoral se deve à perda de influência na sociedade.

“O PSD será a nova escolha dos portugueses, e nunca por nunca a segunda escolha do PS. A tarefa que me proponho é liderar uma oposição de confiança capaz de conduzir o PSD novamente ao governo de Portugal”, afirmou.

Dos antigos líderes do partido, o candidato destacou apenas três: os antigos primeiros-ministros Francisco Sá Carneiro, Aníbal Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho.

“Não discuto idades, nem gerações dos protagonistas, um partido não é feito só de mais novos ou de mais velhos, é feito com todos, não pode é ser feito sempre com os mesmos, com os mesmos rostos”, afirmou.

Num discurso de cerca de 25 minutos, cerca de metade foi dedicado ao partido e outra metade ao país, com o candidato a rejeitar “um PSD obsessivo virado para a querela interna, que procura silenciar as vozes críticas”.

“Quero um PSD que lute contra os nossos adversários políticos. Sei que os nossos adversários estão fora de portas, não estão cá dentro. É um lugar comum, mas parece muitas vezes que nos esquecemos esse lugar comum”, apontou, defendendo ser necessário "fazer do PSD a casa de todos os que não se reveem no modelo socialista”.

Contudo, salientou que não será com “angústias existenciais ou complexos ideológicos” que o PSD voltará a ganhar eleições: “Não aceitamos discursos que agradam aos nossos adversários, mas que repugnam os nossos eleitores. Mas devemos também estar conscientes, que esta recuperação não se consegue apenas com a soma de siglas partidárias a pensar na aritmética eleitoral. A maior aliança que podemos fazer, é com Portugal e com os portugueses”, afirmou.

O candidato acusou o Governo socialista de deixar os serviços públicos "em estado de colapso" e de adiar reformas, “porque o PS quer apenas perpetuar-se no poder”, criticando decisões como a renacionalização da TAP e a reversão das privatizações dos transportes em Lisboa e no porto.

“São áreas onde o Estado não tem de estar presente, e onde o setor privado pode assegurar um serviço de qualidade”, afirmou.

Em alternativa, defendeu que o PSD deve propor aos portugueses “um novo contrato social”, considerando que o modelo de Estado Social pensado na década de 70 “não serve a realidade dos portugueses hoje em dia”.

“Um novo contrato social no qual o setor público e privado possam ser parceiros ao serviço das nossas famílias (…) Não podemos tolerar que o Estado, movido por preconceitos ideológicos, encerre escolas e hospitais geridos por privados, mesmo quando asseguram serviços de qualidade”, afirmou.

Simplificação do sistema fiscal e “aligeirar” dos impostos sobre as famílias foram outras das propostas de Pinto Luz, que defendeu ainda “um novo paradigma de diálogo”, permitindo que trabalhadores tenham presença nos modelos de governo das empresas.

“Num país moderno e desenvolvido, empregadores e colaboradores são os ativos mais determinantes da prosperidade e do crescimento económico”, afirmou.

As eleições diretas para escolher o próximo presidente do PSD realizam-se em 11 de janeiro, com uma eventual segunda volta uma semana depois, e congresso marcado entre 07 e 09 de fevereiro, em Viana do Castelo.

Além de Pinto Luz, são candidatos, até agora, o atual presidente Rui Rio e o antigo líder parlamentar Luís Montenegro.

(Notícia atualizada às 21h01)

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