Num comunicado divulgado hoje pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português, a 39.ª reunião da comissão bilateral permanente (CBP), que decorreu esta quarta-feira em Washington, foi uma oportunidade para “fazer mais um balanço do excelente relacionamento bilateral existente entre os dois aliados transatlânticos”.

Grande parte da reunião foi dedicada à base das Lajes, nos Açores, tendo os dois países “afirmado o seu empenho em manter o público devidamente informado sobre as questões” respeitante a este espaço, onde os Estados Unidos têm uma base militar.

Lisboa e Washington também analisaram “as ações recentes e futuras visando a resolução das questões ambientais decorrentes da presença militar norte-americana na Ilha Terceira” e reiteraram “a validade dos acordos laborais”.

No âmbito da diminuição da presença norte-americana nas Lajes, Portugal já recebeu cerca de metade das denominadas ‘infraestruturas excedentárias’, refere ainda a nota.

Esta reunião, que terminou com a assinatura de uma “declaração conjunta que espelha o diálogo positivo que marcou a 39.ª CBP”, decorreu em vésperas do arranque do “Mês de Portugal nos EUA”, que visa assinalar, através de eventos em 12 estados e 50 cidades, “a longa amizade que une os dois países e a diversidade que caracteriza o seu relacionamento”.

Nesta iniciativa, que também pretende celebrar “as comunidades portuguesa e luso-americana nos EUA”, estão inseridas as comemorações do Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas nos Estados Unidos, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro, António Costa, que depois visitará os estados da Califórnia, Nova Iorque e Nova Jérsia.

Na reunião desta quarta-feira, os dois países destacaram ainda “o caráter cada vez mais diversificado das relações bilaterais entre Portugal e os EUA”, salientando nomeadamente “a cooperação em matéria de defesa” e as “oportunidades comerciais, económicas e de investimento que o gás natural liquefeito e a ‘economia azul’ proporcionam”.

Foram ainda destacados o “reforço da cooperação no plano da ciência, tecnologia, energia e ambiente” e “a intensificação do trabalho conjunto no domínio da justiça e dos assuntos internos, que passou a incluir novas áreas de colaboração, designadamente a cibersegurança, o combate aos fogos florestais, a gestão de crises e a capacitação institucional”.

Portugal e EUA combinaram ainda assinar em breve, um memorando de entendimento sobre mobilidade juvenil.

Em declarações à imprensa hoje de manhã, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou que os dois países se comprometeram a “continuar o trabalho na área de descontaminação ambiental”.

Santos Silva comentou que, há um ano, Lisboa e Washington não tinham chegado a acordo em sede de comissão bilateral permanente, mas esse impasse foi desbloqueado, nomeadamente “pela ação muito valiosa, entre outros, do atual embaixador norte-americano em Lisboa”, George E. Glass.

A comissão bilateral de dezembro passado “já decorreu noutro clima” e “este clima foi consolidado ontem [quarta-feira] em Washington”.

Em comunicado divulgado hoje, o presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, valorizou hoje o que diz ser uma "ação mais diligente, mais concreta e mais efetiva" dos Estados Unidos da América em torno do processo de descontaminação na ilha Terceira.

"Em relação à questão ambiental, que é a principal questão que se coloca neste momento, foram apresentados dados que dão conta de uma ação mais diligente, mais concreta e mais efetiva do que aquilo que até aqui estava a ser feito”, os quais necessitam, agora, de validação técnica e científica", adiantou o governante, citado numa nota do executivo da região divulgada após a reunião desta quarta-feira da comissão bilateral permanente.

Em causa está a contaminação de solos e aquíferos provocada pela Força Aérea norte-americana na base das Lajes, identificada em 2005 pelos próprios norte-americanos e confirmada, em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

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