Num relatório sobre o setor, relativo ao ano de 2018, a AMT concluiu que, segundo dados do IRG-Rail, um grupo de reguladores ferroviários europeus, “a rede nacional tem uma taxa de eletrificação acima da média europeia (64%) e uma densidade abaixo da média, quer em termos de área, quer de população”, sendo que “no período entre 1990 e 2017, Portugal foi, a par com a França, o país que mais viu a sua rede diminuir em termos percentuais (-17%)”, lê-se num comunicado.

Segundo a AMT, no que diz respeito “ao investimento em Infraestruturas de Longa Duração (ILD), registou-se um ligeiro crescimento em 2018, para 92 milhões de euros, mas continua longe dos níveis de investimento realizado durante o período 2002-2011 que registou níveis médios anuais de 354 milhões de euros”.

Por outro lado, a procura no transporte ferroviário de passageiros “registou, entre 2017 e 2018, um aumento na ordem de 3,9% em termos de passageiros e 2,2% em termos de PKm [passageiros-quilómetro]”, o que mostra a manutenção da “tendência de crescimento da procura verificada nos anos anteriores, que ascende a +17% (passageiros) e +23% (PKm), entre 2013 e 2018”, indicou a AMT.

Ainda assim, realçou o regulador, “Portugal era, em 2018, um dos países que menos utilizava o transporte ferroviário e dos poucos onde a quota de mercado da ferrovia não crescia nos últimos anos” no universo europeu, segundo o mesmo relatório.

No segmento das mercadorias, destaca-se “o aumento de 65% no transporte de contentores” bem como uma "redução de 39% no transporte de coque e produtos petrolíferos refinados”, indicou a AMT.

A transportadora Medway, antiga CP Carga, “aumentou para 86% a sua quota-parte do transporte total de mercadorias por modo ferroviário, sendo o maior operador na generalidade dos grupos de mercadorias”, indicou a AMT, realçando ainda que “Portugal é dos poucos [países europeus] que tem o mercado de transporte ferroviário de mercadorias 100% privado”.

A AMT analisou ainda a regularidade e pontualidade do transporte ferroviário, tendo concluído que “os serviços de transporte de passageiros, em 2018, registaram um aumento acentuado do número de comboios suprimidos, bem como um aumento da percentagem de comboios com atraso devido, essencialmente, à ocorrência de greves e à indisponibilidade de material circulante”.

Assim, nesse ano, houve um crescimento de 21% nas reclamações, “essencialmente na CP”, de acordo com o regulador.

Por outro lado, “em matéria de segurança, o ano de 2018 registou um decréscimo do número de acidentes significativos (-24% que no ano anterior)”, adiantou a AMT.

O regulador deu ainda conta da 'performance' financeira e operacional do setor, concluindo que os resultados operacionais, incluindo o gestor da infraestrutura e quatro operadores, “cifraram-se, em 2018, em 76 milhões de euros negativos e os resultados antes de imposto em 139 milhões de euros negativos”, sendo que estes valores correspondem a um “agravamento de 25 milhões de euros nos resultados operacionais e seis milhões de euros nos resultados antes de impostos”, lê-se na mesma nota.

O regulador contabilizou também que, em 2018, “as transferências do Estado para as empresas do ecossistema ferroviário foram de 384 milhões de euros, dos quais 298 milhões para a IP [Infraestruturas de Portugal]” e 86 milhões de euros para a CP.

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