“Portugal tem um interesse inequívoco em ficar conectado, com esta iniciativa, do ponto de vista económico”, afirmou o embaixador, durante uma conversa com os jornalistas, na residência oficial do cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

Para José Augusto Duarte este projeto pode ajudar bastante a economia portuguesa já que o país tem “uma posição estratégica única na Europa, de facilidade de ligação ao continente americano e ao continente africano [por mar] e por terra a toda esta massa continental euro-asiática”.

Anunciada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a iniciativa "Faixa económica da rota da seda e a Rota da seda marítima do século XXI", mais conhecida como "uma Faixa, uma Rota", está avaliada em 900 mil milhões de dólares, e visa reativar as antigas vias comerciais entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e Sudeste Asiático.

Em relação às exportações portuguesas para a China, o embaixador defendeu ser necessário a criação de condições para que os produtores “possam exportar com mais facilidade neste mercado”.

“A distância física conta, não é a mesma coisa exportar para Badajoz ou Espanha do que exportar para a China”, disse.

“A China não é apenas distante, é intimidatória” afirmou José Augusto Duarte, justificando que a China é “país com 1.4 mil milhões habitantes e com uma língua completamente diferente”.

O embaixador anunciou que Portugal se encontra a criar condições legais para “uma série de produtos que neste momento não podem ser exportados”.

Só depois disso será possível “trazer os empresários, dar-lhes a devida preparação, a devida informação estabelecer contactos e fazer ‘lobby’”, esclareceu.

“Estamos a negociar há vários anos a possibilidade de exportar para o mercado chinês carne de porco congelada portuguesa e a negociação está em curso”, afirmou o embaixador.

José Augusto Duarte referenciou a marca de cervejas portuguesa "Super Bock" como um “sucesso imenso nas exportações” para a China, afirmando ser “neste momento a cerveja importada na China”.

Questionado sobre as questões das liberdades cívicas em Macau e pelo respeito que as autoridades locais estão a dar ao princípio "um país, dois sistemas”, o embaixador afirmou que o Estado Português está atento e observador, mas “tudo somado e concluído, não existem motivos para preocupação”.

Já em relação à China, José Augusto Duarte referiu que uma coisa são os valores ocidentais e os valores que defende para o seu país e outra são os valores orientais.

“A visão moralista que tentamos impor aos outros e temos feito isso ao longo da história, geralmente dão mau resultado”, afirmou o embaixador, observando que a China, neste momento, “tem o melhor nível de vida e de desenvolvimento social que tiveram provavelmente na sua história”.

“Nenhum povo vive indiferente ao bem-estar material, com o passar do tempo isso pode não ser suficiente, mas cada sociedade tem de ver “o melhor timing para isso”, concluiu.

José Augusto Duarte, que tomou posse como embaixador em Pequim, em janeiro, encontra-se em Macau para conhecer "os principais interlocutores" da região, numa visita que incluiu uma reunião com o chefe do executivo de Macau, Chui Sai On.

O embaixador encontrou-se ainda com os conselheiros das comunidades portuguesas, associações portuguesas e de matriz portuguesa, a secretária-geral do Fórum Macau, Xu Yingzhen, representantes da câmara de comércio luso-chinesa, empresários locais, entre outros.

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