"Neste momento os sinais que vemos são encorajadores", começou por dizer a ministra da Saúde, Marta Temido, ao comentar os números dos últimos dias e a nova fase de reabertura que o país inicia esta segunda-feira, 18 de maio.

"É imprescindível manter a monitorização", mas "acreditamos que temos de avançar. Os objetivos de confinamento foram genericamente cumpridos: desacelerar a transmissão da infeção e manter a capacidade do nossos sistema e saúde", acrescentou.

"Desconfinar gradualmente é importante para continuar a proteger as pessoas, essa é a melhor estratégia", defendeu Marta Temido, salientando as consequências negativas na economia e na sociedade do confinamento — em particular ao nível da saúde mental.

A governante deixou aos portugueses uma "palavra de confiança e simultaneamente de prudência", garantindo que "todos os dias" são avaliadas as consequências das decisões do executivo.

Marta Temido acrescentou que, nos últimos cinco dias, o número médio diário de novos casos é de 200 e o de óbitos de 12.

A ministra da Saúde considerou ainda que o "lento retomar da vida social", a propósito da pandemia de covid-19, depende mais do "comportamento cívico das pessoas" e não da "instalação de uma sociedade policial, repressiva ou de medo".

"Todo o nosso lento retomar da vida social vai depender muito do nosso comportamento cívico e da nossa autovigilância, mais do que da instalação de uma sociedade policial, repressiva ou de medo".

A pandemia, acrescentou a governante, tem obrigado as pessoas a uma "maturidade acrescida e a uma responsabilidade social" de que os portugueses "não podem prescindir".

"O vírus não é o maior inimigo que enfrentamos. O maior inimigo que enfrentamos é o medo", prosseguiu a ministra da Saúde, falando a dois dias de o país entrar numa nova fase de desconfinamento.

E o que nos diz o boletim da DGS deste sábado?

Portugal regista hoje 1.203 mortes relacionadas com a covid-19, mais 13 do que na sexta-feira, e 28.810 infetados, mais 227, segundo o boletim epidemiológico divulgado hoje pela Direção Geral da Saúde.

Em comparação com os dados de sexta-feira, em que se registavam 1.190 mortos, hoje constatou-se um aumento de óbitos de 1%. A taxa de letalidade situa-se nos 4,18%.

Relativamente ao número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus (28.810), os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) revelam que há mais 227 casos do que na sexta-feira (28.583), representando uma subida de 0,8%.

O número de recuperados aumentou de 3328 para 3822, representando mais 494 casos — o maior número de sempre.

No total registaram-se até hoje 292.249 casos suspeitos, dos quais 260.499 não confirmados.

Segundo o boletim hoje divulgado, há ainda 2940 casos a aguardar resultado laboratorial e 25.419 casos em contacto de vigilância.

Registam-se atualmente 657 casos de pessoas internadas, 115 nos cuidados intensivos. Tratam-se de menos 16 internados (o número mais baixo desde 31 de março) e mais 3 internados na UCI.

A região Norte é a que regista o maior número de mortos (684), seguida da região de Lisboa e Vale do Tejo (267), do Centro (221), do Algarve (15), dos Açores (15) e do Alentejo, que regista um caso, adianta o relatório da situação epidemiológica, mantendo-se a Região Autónoma da Madeira sem registo de óbitos.

Regressam as visitas a lares, mas há regras

Em conferência de imprensa, a ministra da Saúde, Marta Temido, destacou "a importância da possibilidade de haver visitas aos que estão institucionalizados em estruturas residenciais para idosos e na rede nacional de cuidados continuados" a partir desta segunda-feira.

Há, porém, regras a observar, sendo elas a possibilidade de só haver um visitante por semana e por pessoa; as visitas devem ser agendadas previamente e terá de haver registo de visitantes.

"Devem evitar-se visitas em espaços comuns, como salas de convívio ou mesmo o quarto dos doentes", exceto quando estão acamados, explicou a ministra.

De salientar igualmente a importância da manutenção de algumas regras básicas durante estas visitas, como o distanciamento social, a higienização das mãos e a etiqueta respiratória, acrescentou a responsável.

"Quem estiver doente ou com sinais de doença não deve participar das visitas", acrescentou.

Apesar deste aligeirar das regras, mantém-se o incentivo para que a comunicação se continue a fazer com os familiares através de vídeo ou telefone.

Testar, testar, testar

O dia 13 de maio foi aquele em que foram realizados mais testes em Portugal: 17.534, onde se inclui o esforço de rastreio em creches, lares e estruturas residenciais para idosos ou de cuidados continuados.

Neste momento, na administração regional de saúde no Norte, os testes em lares estão concluídos e nas creches estão "praticamente concluídos", faltando apenas um agrupamento de Saúde, o que acontecerá no início da semana quem agora arranca, revelou Marta Temido.

Na administração regional de saúde no Centro "o cenário é de praticamente conclusão do processo". Na região de Lisboa de Vale do Tejo os testes terminam hoje nas creches, que iniciam trabalhos na segunda-feira e os lares vão terminar no dia 22 de maio.

No Alentejo, todas as creches realizaram testes de rastreio. Já os lares, terminam a 22 de maio. No Algarve o programa deve estar completo já este fim de semana.

Uma palavra de tranquilidade para os pais no regresso à creches

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, deixou este sábado uma palavra de tranquilidade e ânimo aos pais que a partir de segunda-feira podem voltar a deixar os seus filhos nas creches.

Graça Freitas salientou que muitas vezes as crianças ficam infetadas por causa de um adulto e que uma vez identificado um caso desta natureza o menor é imediatamente retirado da creche para evitar mais contágios.

A responsável de saúde salientou que "felizmente, até à data, as crianças que temos tido doentes em Portugal tiveram todas, mas todas, uma evolução positiva", mesmo a criança que se deparou com um quadro mais grave de inflamação respiratória — síndrome inflamatória associado à covid-19, semelhante a doença de Kawasaki — e que inclusivamente já teve alta.

"Tudo está a ser feito para que o contágio não exista, mas se por acaso não existir, uma palavra de ânimo porque as crianças têm recuperado bem o Serviço Nacional de Saúde tem capacidade de resposta, mesmo nos casos mais graves", salientou Graça Freitas.

No que diz respeito a síndrome inflamatória associado à covid-19, a diretora-geral da Saúde disse que estes casos estão a ser acompanhados de perto pelas autoridades portuguesas, em articulação com autoridades de saúde internacionais.

Registo de casos recuperados, o que vai mudar

Graça Freitas explicou durante esta conferência de imprensa que a direção-geral da Saúde e o ministério da Saúde têm estado a trabalhar no sentido de "melhorar a informação sobre os recuperados".

Até ao momento, a informação partilhada tem-se baseado em dados fornecidos pelos hospitais e relacionada com casos de pessoas internadas, cujo critério de recuperação está dependente da realização de dois testes negativos com um intervalo de 24 horas.

Todavia, e como a maior parte das pessoas recupera da doença em casa, sendo acompanhada pelo seus médicos de medicina geral e familiar, está a ser desenvolvida uma plataforma que permite registar estes casos mediante a realização de apenas um teste negativo para a doença e a remissão dos sintomas.

Esta informação é recolhida através dos médicos de saúde geral e familiar que acompanham estes doentes e que o inscrevem nesta plataforma.

Assim, "estaremos dentro de poucos dias aptos para fornecer informação relativa aos casos que tendo sido seguidos em domicilio, por apresentarem uma doença ligeira, não só recuperaram clinicamente, como tiveram um teste negativo e o seu médico inscreveu essa informação [na plataforma] para que o caso seja dado como encerrado", resumiu Graça Freitas.

Novo coronavírus SARS-CoV-2

A Covid-19, causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, é uma infeção respiratória aguda que pode desencadear uma pneumonia.

A maioria das pessoas infetadas apresentam sintomas de infeção respiratória aguda ligeiros a moderados, sendo eles febre (com temperaturas superiores a 37,5ºC), tosse e dificuldade respiratória (falta de ar).

Em casos mais graves pode causar pneumonia grave com insuficiência respiratória aguda, falência renal e de outros órgãos, e eventual morte. Contudo, a maioria dos casos recupera sem sequelas. A doença pode durar até cinco semanas.

Considera-se atualmente uma pessoa curada quando apresentar dois testes diagnósticos consecutivos negativos. Os testes são realizados com intervalos de 2 a 4 dias, até haver resultados negativos. A duração depende de cada doente, do seu sistema imunitário e de haver ou não doenças crónicas associadas, que alteram o nível de risco.

A covid-19 transmite-se por contacto próximo com pessoas infetadas pelo vírus, ou superfícies e objetos contaminados.

Quando tossimos ou espirramos libertamos gotículas pelo nariz ou boca que podem atingir diretamente a boca, nariz e olhos de quem estiver próximo. Estas gotículas podem depositar-se nos objetos ou superfícies que rodeiam a pessoa infetada. Por sua vez, outras pessoas podem infetar-se ao tocar nestes objetos ou superfícies e depois tocar nos olhos, nariz ou boca com as mãos.

Estima-se que o período de incubação da doença (tempo decorrido desde a exposição ao vírus até ao aparecimento de sintomas) seja entre 2 e 14 dias. A transmissão por pessoas assintomáticas (sem sintomas) ainda está a ser investigada.

Vários laboratórios no mundo procuram atualmente uma vacina ou tratamento para a covid-19, sendo que atualmente o tratamento para a infeção é dirigido aos sinais e sintomas que os doentes apresentam.

Onde posso consultar informação oficial?

A DGS criou para o efeito vários sites onde concentra toda a informação atualizada e onde pode acompanhar a evolução da infeção em Portugal e no mundo. Pode ainda consultar as medidas de segurança recomendadas e esclarecer dúvidas sobre a doença.

Quem suspeitar estar infetado ou tiver sintomas em Portugal - que incluem febre, dores no corpo e cansaço - deve contactar a linha SNS24 através do número 808 24 24 24 para ser direcionado pelos profissionais de saúde. Não se dirija aos serviços de urgência, pede a Direção-Geral da Saúde.

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