De acordo com uma cópia, obtida pela agência Lusa, do auto redigido por um juiz de Oviedo (norte de Espanha), o magistrado concorda que os dois portugueses podem aguardar o julgamento em liberdade, juntando-se ao dois outros também suspeitos da mesma violação e que já foram libertados.

O tribunal estipula que, antes de sair, cada um deles terá de pagar uma fiança de 5.000 euros, entregar o passaporte, ficando ainda “proibidos de sair do território da Península” Ibérica, aproximar-se “a menos de 300 metros das prejudicadas” ou tentar “comunicar com estas através de qualquer meio ou procedimento”.

“O juiz deu razão ao recurso à decisão de prisão preventiva que apresentámos”, disse hoje o advogado que defende os quatro portugueses.

Germán Inclán estava ao fim da manhã de hoje à porta da prisão em Gijón em que ainda estavam presos os portugueses, acompanhado por vários familiares dos detidos que também aguardavam a libertação.

Os suspeitos foram detidos a 24 de julho por alegada violação e abusos sexuais a duas mulheres de 22 e 23 anos, numa pensão em Gijón, no norte de Espanha.

Duas jovens mulheres, uma delas de Gijón e uma outra da cidade de Bergara, apresentaram na altura queixa na polícia, alegando terem sido agredidas sexualmente pelos portugueses nessa madrugada.

Os portugueses, todos com menos de 30 anos de idade, tinham defendido a sua inocência perante o magistrado, negaram os atos criminosos de que são acusados e asseguraram que as relações sexuais com as duas jovens mulheres foram consentidas.

Dois dos suspeitos foram libertados e regressaram a Portugal, enquanto os outros permaneciam detidos no centro penitenciário das Astúrias, após o juiz ter decretado a sua prisão preventiva, a 26 de julho, sem direito a fiança.

Inclána tinha apresentado recurso para obter a libertação dos dois suspeitos, mas viu a sua pretensão ser recusada por uma juíza que considerou que ainda existia o risco de fuga e a existência dos crimes acusados.

Em declarações à agência Lusa, o advogado dos portugueses detidos, Germán Inclán, afirmou nessa altura que o recurso foi negado devido a “uma interpretação tendenciosa da juíza”.

Na opinião do advogado dos dois suspeitos de violação, a juíza “afastou-se da equidistância e tomou partido para apoiar a versão dos queixosos, sem levar em conta certos elementos objetivos que se encontram no processo e que podem ser relevantes no recurso”.

Agora, ambos podem regressar a Braga, onde residem, para aguardar julgamento.

As duas mulheres denunciaram a agressão sexual na esquadra policial às 06:30 de 24 de julho, explicando que tinham conhecido um homem num bar e que viajaram com ele para a pensão onde este estava hospedado, para um encontro sexual.

Segundo o relato das vítimas, no caminho para a pensão juntou-se um outro homem e, ao chegarem à sala, encontraram dois outros portugueses que as obrigaram a manter relações sexuais com todos eles.

No entanto, de acordo com o auto da detenção, citado pelo jornal El Independiente, as duas raparigas admitiram consentir manter relações com um dos portugueses e foram para o quarto, sendo seguidas por outro jovem que alega que uma delas o chamou.

As mulheres, todavia, negam esta versão. Um delas disse que o facto de os portugueses terem apagado a luz do quarto e terem falado um língua estranha criou um "ambiente de intimidação" que lhe causou "angústia, desassossego, insegurança e surpresa". Por isso, assumiu uma postura "submissa e de passividade, fazendo o que os dois homens lhe diziam para fazer". A outra rapariga acabaria por ficar a sós com um terceiro português. E o quarto homem do grupo não terá participado em atos sexuais.

[Notícia atualizada às 11:40]

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