“Veio a GNR dizer que o fumo podia intoxicar as pessoas e que o fogo estava muito forte”. Efectivamente “estava, que eu nunca vi uma coisa assim, nunca vi horror tão grande como este”, afirma Fernanda, 79 anos de idade.

“O funeral não foi feito e o falecido ficou lá sozinho”, conclui Ataíde, marido de Fernanda, recordando que a evacuação da aldeia foi relativamente rápida, apesar da resistência “de dois ou três habitantes” em deixarem as suas casas.

O casal falava à agência Lusa, ao princípio da noite, em Góis, junto da Associação Educativa e Recreativa de Góis e da residência de estudantes da vila, onde está a funcionar o centro de acolhimento de deslocados das aldeias do concelho.

A poucos metros de distância, outro casal tinha acabado de jantar naquele centro, conta que saiu de manhã de Sandinha, outra aldeia evacuada durante a manhã, para “vir à vila, à feira, e tratar de alguns assuntos.

Para já não podem regressar a Sandinha e aguardam que cheguem os amigos que lhes hão de ficar durante a noite, explica António Almeida.

“Saí de Sandinha com 27 anos [de idade] e andei por fora [designadamente por Aveiro e Lisboa] durante uns 40 anos”, conta Maria Lusitana, 76 anos, mulher de António.

Lusitana voltou à sua terra natal há cinco anos, mas só hoje conheceu bem “o bom povo de Góis”, desde bombeiros a guardas (GNR), de funcionários do município e da Segurança Social, dos serviços de saúde e de voluntários, “enfim, de todos, todos”,

“Umas poucas de horas hoje valeram mais do que os [últimos] cinco anos” para “conhecer bem” quão bom “é o povo de Góis”, assegura Lusitana, sem disfarçar alguma emoção – “até para animar a gente”, sublinha.

Cerca de uma centena de pessoas das aldeias evacuadas no concelho de Góis almoçaram, lancharam e/ou jantaram e receberam apoio designadamente de técnicos da segurança social e da autarquia.

Eventuais problemas de saúde são resolvidos no centro da vila, que funciona pelo menos até à meia noite, embora o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do centro, José Tereso, admita que possa vir a funcionar durante 24 horas/dia.

“Aguardamos apenas a confirmação da disponibilidade de alguns profissionais de Saúde, disse, no local, à agência Lusa, José Tereso, reconhecendo “o relevante serviço” que médicos e enfermeiros têm prestado, voluntariamente, à população de Góis, particularmente às pessoas deslocadas das aldeias do município.

População das aldeias de Góis que deve, quanto antes, procurar o seu respetivo médico de família para “regularizar a medicação”, apela o responsável.

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