“As empresas portuguesas do setor dos transportes atravessam graves problemas de tesouraria, sendo, por isso, imprescindível que sejam tomadas medidas que reflitam a redução do preço do gasóleo com efeitos imediatos, mormente a aplicação ao setor dos transportes de mercadorias do desconto de 30 cêntimos por litro anunciado para os transportes públicos de passageiros”, sustenta a Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP) em comunicado.

Salientando que “só desta forma se poderá mitigar os efeitos da escalada do preço dos combustíveis, que se prevê que continue a aumentar nas próximas semanas”, a associação avisa que a inação do Governo “implicará um aumento exponencial de todos os bens de primeira necessidade, com especial enfoque para os alimentares, dado que o aumento do custo do transporte dos bens será invariavelmente imputado ao consumidor final”.

“Urge uma tomada de posição do Governo face à subida abrupta do preço dos combustíveis, que proteja seriamente a economia portuguesa e o setor dos transportes de mercadorias, a qual não teve ainda lugar”, sustenta a ANTP.

A associação acusa o executivo de se “preocupar somente com o setor dos transportes públicos (táxis, autocarros), olvidando por completo o setor dos transportes de mercadorias, que está presente em toda a cadeia de abastecimento”.

Considerando que “o Governo pode, ainda, evitar a catástrofe que se avizinha na economia portuguesa, aplicando no imediato o desconto de 30 cêntimos anunciado para os transportes públicos ao setor dos transportes de mercadorias”, a associação afirma-se “disponível para cooperar na procura de outras soluções que evitem o desmoronamento completo do tecido empresarial afeto ao transporte de mercadorias”.

Segundo sublinha, se tal acontecer, está em causa “a relegação de milhares de trabalhadores do setor para o desemprego” e “a subida generalizada dos preços dos produtos, em especial os de primeira necessidade”.

A ANTP enfatiza que o aumento na ordem dos 15 cêntimos por litro verificado hoje no preço do gasóleo elevou o custo deste combustível para um preço médio por litro de 1,90 euros, garantindo ser “impossível para as empresas transportadoras portuguesas, que estão sujeitas à competitividade natural da economia de mercado, concorrerem, por exemplo, com as empresas espanholas, onde o preço médio/litro de gasóleo é de 1,53 euros”.

Os preços dos combustíveis dispararam esta semana, tanto nos EUA como na Europa, para os níveis mais altos da última década, devido aos receios de uma redução na oferta, provocada pela invasão russa da Ucrânia.

Em Portugal, o gasóleo sofreu hoje um agravamento superior a 14 cêntimos por litro, enquanto a gasolina ficou cerca de oito cêntimos mais cara.

O Governo anunciou na sexta-feira à noite um conjunto de medidas avaliadas em mais de 165 milhões de euros e destinadas a mitigar o impacto deste agravamento dos combustíveis, entre as quais a subida do desconto no Autovoucher de cinco para 20 euros e a manutenção, até 30 de junho, da redução do ISP na gasolina e no gasóleo e do congelamento da taxa de carbono.

Ainda anunciado foi o prolongamento por mais três meses do apoio dado a táxis e autocarros (pagando agora 30 cêntimos por litro de combustível, em vez dos atuais 10), a atribuição de 150 milhões de euros da receita do Fundo Ambiental ao sistema elétrico nacional para baixar a tarifa de acesso às redes e o aumento do apoio individual para a aquisição de veículos elétricos de três para quatro mil euros, enquanto o montante anual subirá, este ano, para 10 milhões de euros.

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